— O quê? — Perguntei para o Arthur, claramente um passo atrás dele na conclusão.
— Ficamos tão desesperados pra entrar na área de embarque que esquecemos da sua restrição em deixar o estado. Quando a passagem no seu nome acusou no sistema, o sistema entendeu que você estava tentando violar a determinação judicial.
— Merda, merda!
— Ela antecipou nossa jogada. Provavelmente soltou a informação falsa de que estava saindo do país exatamente para isso, para nos fazer correr para o aeroporto, para nos fazer comprar passagens sem pensar nas implicações.
— Filha da puta. — Murmurei. Leonora tinha calculado cada passo que nós daríamos com uma precisão que era, objetivamente, impressionante. O que tornava tudo ainda mais frustrante.
— Senhora... — O policial começou novamente, agora com menos paciência na voz.
Ainda estava parado ali, com o distintivo em mãos, com aquela expressão de quem está ficando progressivamente menos disposto a continuar esperando.
— Já estou indo! — Respondi, incapaz de esconder a minha impaciência também. Me virei para o Arthur. — Mas pra quê? O que ela ganha com isso?
— Ganha que vai saber exatamente onde você está e vai te tirar de cena por alguns minutos. — Ele falou rápido, olhando para o policial e de volta para mim. — Pra quê exatamente, não faço ideia.
— Senhora, se a senhora não me acompanhar agora vou precisar considerá-la em desacato e tomar as medidas cabíveis.
— Posso ir com ela? — Arthur perguntou ao policial.
— Não na viatura.
Ele confirmou com a cabeça, frustrado, e voltou a olhar pra mim.
— Vai. — Arthur me deu um beijo rápido, a mão no meu rosto por meio segundo. — Vou estar seguindo. Estarei bem atrás e já estou entrando em contato com os nossos advogados.
— Arthur...
— Não precisa ficar com medo. É só uma condução, você não está sendo presa. — Ele disse, tentando me tranquilizar.
Mas eu já conhecia Arthur bem o suficiente para saber quando nem ele estava tranquilo. Eu sabia o que estava se passando na cabeça dele. Ele estava se culpando. Estava se culpando porque foi ele quem comprou as passagens em um momento de desespero e nem parou para pensar que isso poderia ter implicações. Estava se culpando por cair na armadilha da Leonora.
— Vai. — Ele repetiu. — Eu vou atrás.
Concordei com a cabeça e o beijei de volta rapidamente antes de começar a seguir o policial.
— Para qual delegacia você a está levando? — Arthur perguntou para o policial, andando alguns passos atrás dos nós dois. — Não pode ser na delegacia aqui do aeroporto mesmo?
Eu também tinha pensado nisso pois sabia que a Polícia Federal tinha posto dentro do terminal, seria mais rápido, não seria?

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