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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 160

Ignorei todo mundo e saí correndo.

Meus olhos já estavam se enchendo de lágrimas antes de eu saber por quê — ou talvez soubesse, mas não quisesse nomear. Eu sempre esperava o pior. Era o que a vida tinha me ensinado a fazer, aquela preparação automática para o impacto, aquele mecanismo de defesa de quem cresceu sabendo que as coisas boas duravam menos do que as ruins. E naquele momento, com Thomas gritando meu nome daquele jeito, com aquela urgência na voz, o pior parecia mais provável do que qualquer outra coisa.

Abri a porta do quarto e parei. Travei.

Os olhos do Arthur estavam abertos.

Fiquei imóvel na soleira da porta, ainda sem ar da corrida, olhando para ele com aquela incapacidade de quando a realidade demora um segundo a mais para ser processada porque é diferente do que você estava esperando.

— Arthur. — A palavra saiu sozinha, baixa, como se eu precisasse testá-la no ar antes de acreditar que era real.

— Ele pode estar confuso ainda — a voz do Thomas chegou de algum lugar atrás de mim. — Provavelmente com dor no flanco e no tórax, a sedação vai levar um tempo para sair completamente do sistema, e é normal que o despertar seja gradual, então não...

Uma voz fraca, mas com aquele ar inconfundível de quem está acostumado a ser ouvido, interrompeu:

— Ela é... médica, porra.

Eu ri de verdade, sem me conter. Porque de alguma forma, aquelas quatro palavras, ditas naquela voz rouca de quem acabou de acordar de dias de sedação, eram as palavras mais bonitas que eu tinha ouvido em muito tempo.

Corri até ele.

Me ajoelhei na beira da cama e o abracei com um cuidado desajeitado de quem quer muito apertar mas tem medo de machucar — desviando dos equipamentos, evitando o lado do ferimento, encontrando um ângulo que fosse adequado.

— Oi. — Disse, entre lágrimas.

— Oi. — Ele respondeu, a voz um fio, mas estava lá.

Ficamos assim por alguns segundos. Depois ele tentou se mover levemente e eu me afastei para deixá-lo respirar.

— Onde eu... onde eu estou?

— Comigo. — Respondi, simplesmente. — Você está comigo.

Aquela primeira interação não durou muito mais. Arthur estava cansado de um jeito que parecia que usou toda a energia disponível só para acordar. Seus olhos foram pesando de volta, a respiração se tornando mais regular e mais funda, o corpo cedendo de volta ao sono com aquela rendição tranquila de quem sabe que precisa disso. Mas não era mais o coma, não era mais a sedação forçada. Era sono de recuperação, sono de quem está lutando para melhorar e precisa de descanso para que o organismo faça a parte que nenhuma medicação faz por ele.

Fiquei sentada na beira da cama por um tempo depois que ele voltou a dormir, com a mão dele na minha, sem fazer nada além disso. Sem pensar na Leonora, sem pensar no processo, sem pensar em nada que não fosse aquele quarto e aquela mão e aquele monitor beepando no ritmo que eu já tinha aprendido a reconhecer como bom.

Estava vivo. Estava acordado. Estava com comigo. Era suficiente.

Ao longo do dia a fazenda foi ganhando vida ao redor de tudo que estava acontecendo naquele quarto.

Geórgia veio ver o irmão — ficou parada na porta por alguns minutos só olhando para ele dormir. Thomas veio checar os sinais, ora como amigo, ora como médico, sem conseguir separar completamente os dois papéis. O Dito trouxe caldo que a Dona Conceição tinha preparado e que eu não consegui recusar sem parecer ingrata.

Capítulo 160 1

Capítulo 160 2

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