Leonora soltou uma risadinha contida que me assustou mais do que qualquer gargalhada aberta que ela pudesse ter dado.
— É isso que você acha de mim, então?
— Bem, foi o que você fez com meu avô, não foi?
— Eu só faço o que é necessário. — Ela disse calmamente, como se uma confissão de assassinato fosse como qualquer discussão mundana. — Você... sua morte não era necessária pra mim. Tentei te afastar com aquele exame falso, mas não é que seu marido parece realmente estar tão apaixonado a ponto de colocar a reputação médica dele em jogo por você?
— Se minha morte não era necessária, por que mandou a Genevieve pra aquele quarto?
— Porque você se tornou uma pedra no meu caminho. Você e ele, o Arthur. A ideia era eliminar meu irmão, afastar você do Arthur, casá-lo com a Genevieve para que ela pudesse controlá-lo, e eu ficava com tudo. — Fez uma pausa. — Mas aparentemente não tem nada no mundo que afaste vocês dois, tem?
— Como você teve coragem? — A pergunta saiu levando minha raiva com ela. — Como teve coragem de matar seu próprio irmão?
— Ah, por favor. Ele viveu bem e viveu demais. Ainda teve o prazer de encontrar a neta perdida nos últimos dias de vida. — Ela olhou para mim. — Claro que se isso não tivesse acontecido ele não precisaria ter morrido, mas... bom, coloque na sua conta.
— Não. Não venha me fazer sentir culpada por ter feito meu avô feliz. E por ter sido feliz graças a ele. A culpa é toda sua. Você puxou esse gatilho. — Pensei melhor. — Aliás, não foi gatilho, foi? O que foi? Como você fez? Porque eu sei que mandou o Guilardi assinar o óbito e mudar a causa da morte.
— Veneno. — Ela disse, sem demonstrar nenhum desconforto. — Rápido, fácil, limpo. E quando você tem um médico disposto a colaborar e assinar o que precisa ser assinado, nem deixa rastro óbvio. É como eu disse, Zara. Você precisa ter pessoas ao seu lado. Aliados nos lugares certos. É a diferença entre conseguir o que quer e não conseguir.
— Aliados que você conquista prometendo coisas que não pode cumprir? Como prometeu à Genevieve que ela ficaria com o Arthur.
— Não tenho culpa se algumas pessoas são burras o suficiente para acreditar em qualquer coisa. — Ela deu de ombros. — Mas, no geral, dinheiro basta. As pessoas são muito mais simples do que gostam de acreditar.
— O Guilardi traiu meu avô por dinheiro?
— Não pense que foi pouco. Mas sim. — Ela me olhou de um jeito diferente, avaliativo. — E você? Qual o seu preço?
— O quê?
— Qual o seu preço? Porque você não precisa morrer aqui. Pode tomar o lugar da Genevieve. Pode ser a pessoa que vai manter o Arthur onde eu preciso que ele fique.

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