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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 158

Thomas tinha tentado me convencer a ir para um dos quartos umas três vezes ao longo da noite.

Na primeira, eu tinha dito não educadamente. Na segunda, menos educadamente. Na terceira, ele tinha apenas suspirado fundo com aquela resignação de quem conhece o terreno e sabe que não vale a pena continuar. Tinha saído e voltado alguns minutos depois com dois travesseiros e um cobertor que provavelmente a Dona Conceição tinha separado, e os tinha deixado no sofá de couro sem dizer uma palavra.

Eu tinha conseguido dormir em fragmentos, aqueles cochilos de vinte minutos que o corpo rouba quando você não está prestando atenção, intercalados com períodos em que eu ficava olhando para a parede ou para o monitor, ouvindo os sons da fazenda lá fora e tentando não fazer as contas de quanto tempo tinha passado.

Quando a luz da manhã começou a entrar pela janela desisti de fingir que ia dormir mais.

Me levantei do sofá, o corpo protestando contra a noite mal dormida em posição errada, o pescoço dolorido, os joelhos ainda dormentes do frio que o cobertor não tinha coberto completamente. Fui até a janela por um segundo, a fazenda lá fora estava começando o dia com aquela indiferença tranquila de sempre, o Dito provavelmente já na horta, as galinhas já fazendo o seu barulho, o sol nascendo sobre as árvores como se não soubesse de nada.

Depois me virei para Arthur.

Olhos fechados. Respiração regular, controlada pelo suporte que o Thomas tinha mantido funcionando ao longo da noite, mas ainda com aquela palidez de quem ainda não tinha voltado ao normal. Pelo menos parecia melhor do que ontem.

— Ainda dormindo, hein? — Murmurei, com a voz rouca de quem não usou muito ela nas últimas horas. — É estranho. Você sempre acorda antes de mim.

Fui até a cama. Sentei na beira, com cuidado de não disturbar nada, e peguei a mão dele, aquela mão eu tinha segurando tantas vezes e que eu conhecia bem o suficiente para saber quando estava tensa e quando estava em paz.

Estava em paz. O que deveria ser reconfortante, mas na verdade era assustador.

— Acorda, Arthur. — Minha voz saiu baixa, sem drama. — Por favor. Tá na hora.

Silêncio. O monitor beepando no ritmo constante de sempre.

Fiquei assim por um tempo, a mão dele na minha, olhando para o rosto dele que não mudava.

— Nosso filho está bem. — Comecei, apenas porque queria conversar com ele. Sentia falta disso. — O bebê está bem. O hematoma está sob controle, eu estou em repouso, Thomas está monitorando. — Fiz uma pequena pausa antes de prosseguir. — Eu estou tentando me manter calma porque preciso. Por ele. Por ela. Não sei ainda. — Deixei escapar um sorriso pequeno que durou pouco. — Por essa criança que vai ter um pai que vai enlouquecê-la com as melhores escolas de medicina do país antes mesmo de ela nascer, com certeza.

Mas a voz foi falhando enquanto falava.

Porque a verdade era outra. A verdade que eu tinha estado guardando atrás da calma necessária, atrás do repouso e do monitor e dos comprimidos e de tudo que era preciso fazer para que o bebê ficasse bem. A verdade era que eu estava surtando. Que a possibilidade de perdê-lo estava ali, real e presente, e eu não sabia o que fazer com ela. Não havia procedimento para isso. Não havia texto de livro que ensinasse como ficar ao lado de alguém que você ama enquanto ele não acorda e você não sabe se vai acordar.

Capítulo 158 1

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