Eu nunca tinha estado em um aeroporto antes, mas eu imaginava que em condições normais ele já não seria um dos meus lugares favoritos — barulhento, cheio de gente com pressa, com aquela iluminação artificial que não favorecia ninguém e filas em toda parte sem começo nem fim claro.
Mas eu uma situação de emergência, como hoje, era ainda pior. Cada pessoa que passava era um possível obstáculo, cada corredor uma possível direção errada, e o ruído de fundo tornava impossível pensar com a clareza que a situação exigia.
A informação tinha chegado pelo Eduardo, vinda de um dos seus contatos, que Leonora estava prestes a embarcar em um voo para Portugal. O que fazia muito sentido. Genevieve tinha dado seu depoimento na tarde anterior, Leonora já estava sando da traição e sua melhor opção era fugir do país.
Então, fizemos o que nossa ansiedade nos pediu: fomos para o aeroporto. Não que acreditássemos que fossemos resolver algo com as próprias mãos, mas... Tá, eu acreditava que ia resolver com as próprias mãos. Acreditava que ia agarrar ela pelos cabelos e obriga-la a ficar até a polícia chegar. Mas acho que essa não era a expectativa de Arthur, Thomas e Eduardo quando entramos naquele carro.
Thomas desligou o telefone enquanto ainda caminhávamos em direção ao terminal e virou para o grupo.
— A polícia bloqueou o passaporte dela. Ela não tem como deixar o país pelo sistema oficial.
Sorri, mas não foi de alívio.
— E você acha mesmo que ela estaria tentando fazer isso com o passaporte original? A gente precisa achá-la. Aqui dentro, antes que embarque.
O aeroporto do Galeão era grande demais para quatro pessoas varreram de uma vez, então nos separamos sem precisar de muita discussão — Thomas indo em direção à área de despacho de bagagem onde havia mais movimento e mais possibilidade de uma mulher tentando passar despercebida numa fila longa, Eduardo tinha indo tentar falar diretamente com a equipe de segurança do aeroporto para acionar o protocolo interno e cruzar as câmeras, e eu e o Arthur seguindo juntos em direção à área de embarque internacional.
Antes de se separar, Eduardo parou e me olhou por um segundo.
— Cuidado — disse, só isso.
Era o suficiente.
— E se ela já entrou? — Perguntei, enquanto andávamos rápido pelo terminal. — Essa hora ela já deve estar do lado de dentro.
— Aí vamos ter que contar com a polícia. Não tem como a gente entrar sem passagem, sem...
— Você está com seu passaporte?
Ele me olhou de lado.
— Você sempre anda com seu passaporte — disse, antes que ele perguntasse por quê eu estava perguntando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO