O corredor do hospital parecia mais longo do que nunca. Cada passo de Olívia ecoava como um aviso, como se o próprio chão soubesse que ela estava à beira do colapso.
Ela correu. Esbarrou em uma maca, deixou a bolsa cair, nem parou para pegar direito. O suor escorria pelas costas apesar do ar-condicionado glacial. O coração parecia bater fora do peito.
— Senhora Belmonte? — a voz do Dr. Ernesto veio da porta da emergência pediátrica assim que ela parou.
Ela congelou. O corpo inteiro em alerta, puxava o ar com força para dentro do peito. Cada segundo parecia mais difícil respirar.
— Ele piorou? — arfou, com os olhos arregalados, suas mãos tremiam.
O médico assentiu com um suspiro pesado, e no mesmo instante, uma lágrima silenciosa desceu dos olhos de Olivia.
— O quê... — sua voz saiu em um murmúrio, a garganta doía enquanto ela tentava segurar o choro.
O médico viu o desespero em seus olhos, e empurrando os óculos para cima no nariz, ele respondeu:
— O estado de Leo se agravou. Ele precisa ser internado agora. A infecção se espalhou, e o quadro está instável.
— Mas vocês vão cuidar dele, não vão? — A voz dela saiu quase infantil, como se pedir com jeitinho fizesse diferença. — Por favor, ele precisa...
O médico a interrompeu quando percebeu a dor na voz dela.
— Vamos cuidar dele. Já estamos iniciando os procedimentos. Mas, Olívia... o hospital exige uma entrada. Vinte mil reais.
Vinte mil.
As palavras bateram nela como um tapa. O ar fugiu dos pulmões. As pernas amoleceram. Como arranjaria tanto em tão pouco tempo?
— Eu... eu não tenho isso. — ela sussurra e quase ouve os cacos do seu próprio coração se despedaçando em seu peito.
O médico pressionou os lábios, e ele estava prestes a dizer que sentia muito, que já não havia mais nada a ser feito. Foi quando Olivia o interrompeu.
— Mas... mas eu consigo. Dou um jeito. Eu dou. Eu juro. — ela afirma, com uma convicção cega.
O médico assentiu, mas sua expressão era clara: o tempo estava contra eles.
— Quanto antes, melhor. Cada hora faz diferença. — ele conclui.
Ela só conseguiu assentir com a cabeça e se afastar. As luzes do hospital pareciam mais fortes. O branco, mais cruel. As palavras, martelando: vinte mil reais... agora.
No calor do seu desespero, Olivia tenta mais uma vez recorrer a um empréstimo. Ela correu até a agência bancária que ficava localizada em frente ao hospital, os dedos suados tentando segurar os documentos. Na fila, mal conseguia ficar de pé.
— Atendimento seguinte — disse o atendente, sem olhar nos olhos dela.
Ela passou os papéis. RG, extratos, comprovantes. E o laudo médico de Leo, amassado, com as bordas dobradas. Já havia entregado aqueles documentos tantas vezes que já sabia do procedimento de cor.
— Estou tentando um empréstimo. Urgente. Meu filho está internado no hospital aqui em frente.
O atendente digitou no sistema por alguns segundos. O silêncio era um aviso.
— Infelizmente, sua solicitação foi negada. Seu score está muito abaixo do necessário. Não temos margem.
— Mas... é meu filho. Ele precisa operar! Ele pode... — a voz falhou. — Ele pode morrer!
— Senhora... eu entendo. Mas não posso fazer nada.
Ela sentiu os olhos de todos na fila. Gente olhando. Gente julgando. Ela empurrou os papéis de volta pra dentro da pasta, quase os rasgando, e saiu.
O céu estava nublado quando ela parou na calçada, sem saber pra onde ir. O som dos carros parecia distante, abafado. A respiração curta. O coração descompassado.
“Vinte mil reais.”
“Nenhum crédito.”
“Leo... está piorando.”
Ela se sentou em um ponto de ônibus, a cabeça baixa, os cotovelos nos joelhos. O blazer suado, o rosto inchado. Olhou para as próprias mãos e as viu tremerem, enquanto suas próprias lágrimas molhavam as palmas.
“Você faria qualquer coisa para manter esse emprego?” A voz de Ian voltou à mente como veneno.



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