Assim que Ian falou, Olívia assinou o seu nome no contrato.
A imagem da assinatura naquele documento, ainda queimava na memória dela como uma cicatriz recente; feia, dolorida, necessária.
Levantou-se devagar, tentando ignorar o gosto metálico na boca, nó que apertava o peito e suas pernas trêmulas. Mas não havia tempo para vaidade ou para se lamentar. Ela pegou a bolsa, e saiu sem sequer olhar para trás.
Leo. Era a única coisa em sua mente. Ela precisava vê-lo. Precisava ver com os próprios olhos que ele estava vivo. Que tudo aquilo não tinha sido em vão.
Quando chega ao hospital, ela vai até o saguão da pediatria. Correu até o balcão, quase tropeçando nos próprios pés, a respiração ofegante. A ansiedade e medo a dominavam.
— Olá, meu nome é Olívia Belmonte. Meu filho, Leonardo Belmonte foi internado na UTI pediátrica. Eu preciso saber como ele está, quais o estado do quadro dele. E também gostaria de mais informações sobre o pagamento do tratamento dele, por favor.
— Ok, senhorita Belmonte. . Me dê apenas um instante. — a mulher diz com um sorriso gentil no rosto antes de desviar os olhos para tela do computador.
A recepcionista digitava com rapidez, os dedos secos clicando no teclado. Enquanto isso, Olívia mordia o polegar, o coração acelerado demais para o tamanho do corpo. Cada segundo que se passava soava como uma tortura diferente no seu peito de mãe.
— Bom, em nosso sistema consta que a conta do tratamento de Leonardo Belmonte foi quitada — disse a mulher, sem sequer levantar os olhos, ainda observando a tela. — A criança está sob medicação e observação. O médico fará nova avaliação ao meio-dia.
Olívia piscou, atordoada. Completamente paralisada.
— Paga? Tem certeza?
— Você pode confirmar. — A funcionária virou o monitor para ela, apontando o comprovante no sistema.
Olivia afundou na cadeira ao lado como se tivesse levado um golpe no peito. O ar entrou rasgado. Por um momento, o som da recepção desapareceu. Tudo ficou em silêncio.
Ian Moretti tinha cumprido a palavra.
O hospital, o tratamento, o dinheiro. Tudo já estava em movimento.
Olívia passou a mão pelo rosto, engolindo o choro. Não era gratidão. Era um tipo de alívio torto, sujo, pesado. O tipo de alívio que vinha com um gosto amargo: ela havia vendido algo de si, algo que talvez nunca recuperasse. Mas de todo mundo, ela sabia que valeria a pena. Por ele.
Olivia agradeceu a recepcionista com um aceno fraco e se sentou na sala de espera, sem se importar com o horário da visita. Esperaria. Poderia ficar ali o dia inteiro, se fosse preciso.
Quando finalmente liberaram a visita, ela entrou no quarto com passos miúdos.
Leo dormia.
Tão pequeno naquela cama enorme. Um ursinho desgastado agarrado contra o peito. A respiração mais ritmada. A pele ainda pálida, mas tranquila. Sem febre. Sem gemidos.
Olívia se sentou ao lado da cama e segurou sua mãozinha quente com as duas mãos, como se pudesse protegê-lo do mundo inteiro com aquele gesto.
— Mamãe está aqui, meu amor... — sussurrou, encostando os lábios em seus dedos. — Vai ficar tudo bem. Eu prometo. Mesmo que eu tenha que engolir o mundo inteiro.
Ela ficou ali por quase uma hora, observando o movimento do peito dele subindo e descendo. Conferia os monitores a cada dois minutos, observando seu coração que ainda batia com muita vontade. O horário de visita já estava acabando, mas ele não acordou.
Quando o médico entrou e avisou que a medicação começava a surtir efeito, Olívia apenas assentiu, muda. As palavras ficaram presas na garganta.
E então, ela quebrou.
As lágrimas caíram em silêncio, sem controle. O corpo tremia. Era como se, por um momento, tudo tivesse deixado de doer, só para dar espaço a um cansaço mais fundo ainda. Pela primeira vez, ela desmoronou na frente de alguém. Sem máscaras. Sem forças.
Medo. Culpa. Alívio. Tudo junto, bagunçado, esmagando o peito.
Ainda tentando respirar direito, sentiu o celular vibrar no bolso. O toque a trouxe de volta como um choque.

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