POV/ ADRIAN
Alguns dias depois.
O celular vibrou no meu bolso. Por um segundo, meu coração disparou, implorando para ser o nome de Clara na tela. Mas era Isabela. E cada palavra daquela mensagem era um prego no caixão do que restava da minha sanidade.
"Você não a merece. Você é um idiota... ela quer ir embora. Vamos mudar e não te interessa para onde. Ela merece ser feliz e você é um problema. Não a procure mais. Por favor"
Li e reli aquelas frases até que as letras perdessem o sentido e sobrassem apenas o veneno. Isabela tinha razão. Do ponto de vista dela do ponto de vista do mundo, eu sou o problema.
Meus dedos tremeram sobre o teclado. Eu queria escrever um testamento. Dizer que a amo. Que eu a desejo, que sou louco por ela.
Mas. Digitei apenas duas letras. “Ok".
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3 de agosto.
O brilho azulado do monitor era a única coisa que iluminava meu escritório nos últimos dias e noites. Meus olhos ardiam, injetados por horas de leitura de dossiês sobre Azazel e outros espectros do submundo. Eu não dormia. Não conseguia.
Tentei me forçar a não saber o dia da partida de Clara. Me proibi de abrir as redes sociais, de buscar o rosto dela entre as fotos de Isadora. Lutar contra a vontade de procurá-la era como um viciado tentando largar o cigarro enquanto segura o maço na mão; meus pulmões doíam de abstinência.
Sarah estava ali, circulando pela casa como uma lembrança constante do meu fracasso. Ela estava debilitada demais para a quimioterapia, mas insistia em manter as aparências. Naquela manhã, ela disse que buscaria as filhas na escola. Eu apenas assenti, enterrado em códigos e planilhas, tentando ignorar a dor e a culpa.
Por 13h o silêncio foi quebrado pelo toque estridente do meu celular particular.
Número restrito.
Atendi com o resto de paciência que me sobrava.
— Fala.
Houve um segundo de silêncio do outro lado. Uma respiração pesada, ritmada.
— E então, Cavallieri? Agora você está pronto para me ouvir?
Meu sangue gelou instantaneamente.
— Azazel. Eu já disse que não quero fazer negócios com você.
— Isso foi o que você disse antes da sua família mudar de endereço — a voz dele destilou um prazer sádico.
— O quê?! O que você está dizendo, seu desgraçado?
Nesse exato momento, meu segundo telefone, o da linha de emergencial, começou a berrar. Atendi no viva-voz. Era Mathew.
— Adrian! — a voz dele estava soterrada por barulhos de sirenes. — Houve um atentado na porta da escola. O motorista foi baleado. Elas... elas sumiram.
— Quanto você quer? — Gritei, a sanidade escorrendo pelos meus dedos. — Você quer quanto? 10, 20? Cem milhões? Quinhentos? Eu te dou todo o meu dinheiro, Azazel! Eu financio seu projeto com TechGlobal se você quiser! Mas, por favor... não toca nelas.
— Não se trata mais de dinheiro, Cavallieri. Russos cumprem a palavra. Eu avisei que você se arrependeria e avisei três vezes. Agora, vamos negociar do meu jeito. Você vai aceitar meus códigos. Vai abrir seu porto, sua logística e quero os códigos dos softwares para passar as minhas mercadorias. Sem perguntas. Sem rastros.
— Eu não posso... — comecei, mas fui interrompido.
— Ah, então é uma pena. Porque se não ceder, você nunca mais vai ver os rostos dessas crianças.
— PAPAI! PAPAI!! — Os gritos agudos de Ângela e Geovana rasgaram a linha telefônica, atingindo meu peito como estilhaços de granada.
Porra.
Levei a mão à cabeça, puxando os cabelos, sentindo que ia enlouquecer. Que merda! Que merda! Que merda!
— Você tem 72 horas, Adrian. Depois disso, eu começo a mandar pedaços delas para sua casa. Tic-tac. Tic-tac.
A linha caiu. Com o meu mundo.
O Azazel tinha as três partes do meu coração. As gêmeas e a Clara.
As luzes do escritório começaram a oscilar, ou talvez fossem apenas os meus olhos falhando. As semanas de negligência, as noites em claro alimentadas por café, ódio e saudade.
Minhas vistas escureceram, as bordas do mundo se tornando borradas e instáveis. Tentei me segurar na borda da mesa, mas meus dedos não obedeceram; os sentidos se apagaram um por um, e só vi o chão se aproximando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
Eu recomendo o romance: O Bilionário Obsecado e a Babá Virgem do Club Proibido. Ao ler o romance fui transportada para um mundo paralelo cheio de sentimentos, amor, sedução e prazer. Foi uma leitura intensa prazerosa que fez florescer em mim desejo que eu não sabia que tinha. Parabéns!!!...