POV / Isadora
Duas semanas tinham se passado desde aquela noite caótica no corredor do bar. Duas semanas em que o MATHEW simplesmente sumiu do mapa, tendo viajado a negócios para resolver alguma pica da TechGlobal no exterior. Eu continuei batendo cartão no estágio, focada, tentando enfiar a minha cabeça nos relatórios trabalhistas para esquecer o que tinha acontecido, mas a verdade era que eu estava MORRENDO DE SAUDADE. O cheiro dele parecia ter grudado na minha memória e, por mais que meu orgulho gritasse para eu esquecer aquele homem metódico e irritante, o meu corpo sentia a falta daquele toque bruto.
No meio tempo, fui visitar a Clara. Ela estava sofrendo com os enjoos terríveis por causa da gravidez das gêmeas, pálida e agarrada a um balde metade do tempo, mas os olhos dela brilhavam de uma felicidade que quase me fazia inveja. Ver a minha única amiga protegida e em paz me dava forças para continuar correndo atrás do meu próprio rumo.
Naquela noite, cheguei para trabalhar no Ambrosia Club com o corpo moído do cansaço do dia. Mal pisei no camarim e o gerente veio na minha direção com uma prancheta na mão e um sorriso de quem tinha tirado a sorte grande.
— Isadora, hoje você tem uma dança especial em um dos quartos VIP para um cliente exclusivo.
Franzi a testa na mesma hora, cruzando os braços sobre o peito.
— Você sabe que eu não faço esse tipo de atendimento privado para cliente nenhum. Eu danço no palco, faço o meu show e só. Não faço sala.
— Eu sei, mas o cara pagou uma fortuna absurda e deixou claro que só aceita você. Não tem conversa. É pegar ou largar, e a comissão vai direto para a sua conta.
Respirei fundo, sentindo o peso das minhas escolhas. O meu estágio na TechGlobal estava indo muito bem. Pensei comigo mesma que, assim que eu recebesse os primeiros salários de verdade e me firmasse na profissão, eu finalmente poderia PARAR COM AQUILO TUDO. Poderia largar o clube de vez, ter uma vida normal e, quem sabe, parar de brigar com o MATHEW por causa desse submundo. Pensando no dinheiro que faltava para quitar as minhas últimas pendências, engoli o orgulho e aceitei.
Me tranquei no reservado do vestiário para me arrumar. A roupa escolhida era uma lingerie preta extravagante, uma armadura de renda e tiras de cetim que desenhavam o meu corpo magro de um jeito agressivo. O espartilho apertava a minha cintura, forçando a minha postura, enquanto as ligas escuras subiam pelas minhas coxas longas, prendendo as meias sete-oitavos. Os bojos tinham pedrarias que brilhavam no escuro, mas mal cobriam os meus seios pequenos, deixando o bico deles quase totalmente expostos sob o tule transparente. Eu parecia uma miragem cara, o tipo de fantasia que os homens ali dentro gastavam fortunas para olhar, mas vestir aquilo naquele momento me trouxe um aperto esquisito no peito.
Saí do camarim e caminhei até o quarto VIP indicado. O corredor daquela ala do Ambrosia era silencioso, abafado, com um tapete grosso que engolia o som dos meus saltos. A luz vermelha fraca e indireta criava sombras pelas paredes e me dava calafrios na espinha. Parecia que o ar ali dentro não se movia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
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