POV / Isadora
O corredor da maternidade cheirava a álcool e ansiedade. Eu andava de um lado para o outro, os meus saltos estalando contra o piso de granito enquanto as minhas mãos suavam frio. O meu coração parecia bater na garganta. A Clara estava lá dentro, prestes a colocar as gêmeas no mundo, e eu sentia uma urgência violenta de estar ao lado dela. No segundo em que o médico apareceu na porta avisando que apenas uma pessoa poderia acompanhar o parto de início, o caos se instalou.
— Eu vou entrar — disparei, dando um passo à frente, cruzando os braços com força. — Eu sou a melhor amiga dela. Conheço a Clara há muito mais tempo que você!
O Adrian deu um passo na minha direção, o rosto pálido de nervoso, mas com os olhos azuis faiscando de autoridade.
— Eu sou a porra do pai das crianças, Isadora! Eu vou entrar.
— Não interessa! Eu quero entrar de qualquer jeito! — bati o pé, sentindo os meus olhos arderem de puro estresse contido.
O Mathew se aproximou por trás de mim. Senti as mãos grandes e firmes dele pousarem nos meus ombros, um aperto pesado que tentava me segurar no lugar, me ancorando no meio daquele desespero.
— Calma, Isa. Fica calma — a voz dele saiu grave, colada no meu ouvido, o hálito quente dele roçando na minha pele arrepiada. — Deixa eles resolverem lá dentro.
Antes que o Adrian pudesse retrucar, um grito agudo e abafado da Clara cortou o ar vindo direto da sala de parto, fazendo todo mundo travar.
— Se vocês dois continuarem berrando aí fora, nenhum vai ver porra nenhuma! Sumam da minha frente se não for para ajudar!
O médico olhou para o Adrian, depois para mim e para o Mathew, soltando um suspiro cansado diante do tamanho da nossa confusão.
— Tudo bem, entrem os dois de uma vez antes que a paciente se estresse mais. Mas fiquem quietos.
Eu não esperei o Adrian se mexer. Empurrei a porta e entrei na sala de parto, sentindo o meu corpo inteiro tremer. O ambiente era claro demais, cheio de aparelhos, e a Clara estava deitada, com o rosto suado e segurando a barra da cama com força. O Adrian correu para o lado da cabeça dela, segurando a mão dela com uma adoração que me fez engolir o choro. Eu fiquei um pouco mais atrás, segurando o ar.
E então aconteceu.
O choro agudo e estridente preencheu a sala. Eu vi quando a HELENA nasceu. A primeira das gêmeas. A criaturinha minúscula e vermelha foi colocada perto do peito da Clara, e ver aquela cena explodiu qualquer armadura que eu ainda sustentava. As lágrimas desceram grossas pelo meu rosto, um choro de alívio e de uma felicidade tão gigante que o meu peito doeu. Eu estava soluçando, completamente desarmada diante da vida que tinha acabado de surgir na minha frente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
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