Capítulo 94 — Dom Ambrose está de volta
Ambrose Blair
Eu nunca fui um cara “muito emocionado”, nunca tive relacionamentos amorosos e, quando tentei ter um, uma única vez, me frustrei. Mas com ela era diferente. Eu não sabia como, nem por quê. Eu só sabia.
Decidi ignorar os idiotas dos meus amigos lá fora e quis me prender somente a ela e a esse momento, que parecia ser único para nós dois.
— Fer… — a chamei novamente e, confesso, me bateu um certo medo de ser rejeitado por ela como já fui antes.
— Sim… — ela respondeu em um sussurro emocionado. — Eu quero ser sua namorada.
Por um momento, pareceu que era um sonho, que ela não tinha dito “sim”. Mas quando ela tocou meu rosto e me deu aquele sorriso, eu soube que era mais do que real. A puxei de volta para um beijo; minha língua invadindo sua boca, a reivindicando, e ela aceitando, permitindo.
Apertei suas coxas e intensifiquei o beijo, ela gemeu.
— Querida… — comecei, com a boca ainda na dela. — É melhor pararmos por aqui, senão eu te jogo no banco de trás e esqueço das suas costelas e do meu jejum. — Ela separou nossas bocas e perguntou, confusa:
— Jejum? — Sorri para ela e lhe dei um selinho.
— Longa e antiga história — a beijei novamente. — Que eu vou te contar com toda a certeza, mas não agora. — Ela assentiu e olhou para a varanda, que agora estava vazia.
— Não sei se tenho coragem de ir até lá, Ozzie. Se antes eu já estava com medo, agora eu estou com apavorada e envergonhada. — Eu ri do seu jeito.
— Acostume-se com aqueles caras; nós somos como irmãos, e irmãos são assim mesmo. — Tirei o cabelo dela do ombro, jogando-o para trás e deixando um beijo em seu pescoço. — A gente se provoca e, no meu caso, eu sempre provoco eles. E por você ser minha primeira namorada, eles não vão deixar barato.
— Primeira? — Ela me olhou, incrédula.
— Sim. Eu tentei uma vez, há alguns anos, mas quando sugeri que tivéssemos um relacionamento sério, a pessoa me rejeitou. Enfim, nunca tive o mesmo prazer que meus amigos, quer dizer… — passei meu nariz no dela. — Não tinha; agora eu tenho e estou adorando. — Vi algo brilhar nos olhos dela. Fernanda envolveu os braços ao redor do meu pescoço.
— Você está indo muito bem para quem nunca namorou. — Passei meus braços por sua cintura, colando ainda mais nossos corpos.
— Ah, é? Me conte mais sobre isso? — pedi, tentando parecer sério, e claro que ela ignorou a minha “seriedade”, dando um riso espontâneo enquanto jogava a cabeça para trás.
— Eu conto… — ela baixou o tom de voz e, porra, aquilo foi extremamente sexy. — Você está sendo perfeito, Ozzie… — ela deu um beijo bem embaixo da minha orelha e senti meu membro latejar no mesmo instante.
— Ok… — comecei. — Preciso dizer que isso aqui foi sexy pra caralho. Precisamos repetir mais vezes, mas agora… — Abri a porta do carro, joguei minhas pernas para fora e saí com ela em meu colo.
— Ozzie! Me coloca no chão!
— De jeito nenhum — dei um selinho nela. — Sua perna ainda está machucada. Vou pegar suas coisas no porta-malas e vamos entrar assim, agarradinhos. — Fernanda riu e eu fiz exatamente como falei.
Assim que passamos pela porta, havia uma multidão de gente na sala. Todos os meus amigos, e quando eu digo “todos”, são todos. Eles estavam ali espalhados entre sofás, poltronas e tapetes, como se estivessem me esperando.
— Boa noite, Fer… — Tay disse, em um tom de deboche.
— Boa noite — minha mulher respondeu, envergonhada.
— Pensei que não fossem sair do carro — Declan disse, sorrindo, e levou uma encarada da mulher dele. — O que foi, pequena? Foi só uma pergunta genuína.
— Bem genuína — Atlas disse, e todos riram.
— Como está se sentindo agora, Fer? — Esther perguntou.
— Estou melhor, obrigada.
— Bem melhor, né, Fer? — Tay perguntou, dando uma piscadinha para ela, que riu antes de responder:
— E como… — Todos caíram na gargalhada.
— Sobe lá, Ozzie. Se instalem, tomem banho e depois desçam aqui para nos fazer companhia — Noah disse.
— Nada de ficarem lá em cima, pois eu estava bem instalado com a minha mulher quando o Chris e o Stan invadiram meu quarto, nos arrastando para cá — Damien disse, ajeitando a Emma em seu colo.
— Adoro a companhia de vocês, mas não garanto nada — falei e vi a Fernanda corar.
Subi com ela ainda no meu colo, ouvindo os gritos e protestos dos meus amigos dizendo que, se eu não descesse em no máximo uma hora, eles me buscariam. Fui até o quarto onde tinha deixado minhas coisas mais cedo, entrei e fechei a porta com chave, só para garantir que ninguém invadisse na hora errada.

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