Os olhos de Juan permanecem em Ax, dessa vez imparcial. Espero que ele fale qualquer coisa, que pergunte porque eu trabalharia com Ax, uma vez que ele não irá me demitir. Mas ele não faz isso.
Seus olhos apenas procuram Emma e buscam sua mão, apenas desejando ir embora daquele local. Bom, eu também desejava aquilo profundamente. E como se minha prece fosse atendida:
—Você vem?— ele resmunga de repente, mas sem olhar pra mim.
Ele não precisa se esforçar mais que isso pra me ver saindo em disparada atrás dele.
—Juan, eu...— eu começo a falar, a voz trêmula, mas sou interrompida.
—Aqui não.— Ele me corta friamente assim que chegamos ao seu carro e ele dá partida em alta velocidade.
Eu engulo em seco, sabendo que aquele momento era um daqueles em que eu arruinaria tudo se eu só falasse descontroladamente. No meu lado, Emma parece muito mais tranquila sentada em sua cadeirinha, mesmo que silenciosa. Mas também respeito esse seu espaço.
Assim que o carro para em frente a mansão, Juan sai do banco do motorista. Eu estou ajudando Emma a se desprender de sua cadeirinha quando ele abre a porta. Seus olhos caem nos meus e ele ainda parece em fúria, mesmo que velada.
—Eu a solto e a levo para o quarto. Preciso conversar com ela.— Digo e ele parece relutante. —Por favor, só uma pequena conversa de garotas.
Juan novamente olha de Emma para mim e sua filha apenas assente, dessa vez, com o sorrisinho de volta a seu rosto.
—Tudo bem.— Ele cede, por fim. —Senhorita Green, ao terminar, precisamos conversar.
Aquela sentença foi o suficiente pra fazer meus ossos tremerem dentro do meu corpo, ao perceber que o meu destino até então, ainda estava incerto. Mas tudo que faço é engolir em seco e concordar.
Emma e eu subimos até o seu quarto e a expressão no rosto da garota quando viu seu próprio reflexo no espelho e a situação do seu cabelo, me partiu o coração.
—Emma, você confia em mim?— eu pergunto, mas meio que me arrependo no mesmo instante.
Por que ela confiaria em mim sabendo que a razão para ela está daquele modo, foi justamente a minha ausência? Tudo porque não fiz o meu trabalho.
—Confio, Ayla.— Mas estranhamente, é isso que ela responde.
Sorrio pra ela, mais apaixonada naquela garotinha impossível.
—Então venha cá.— A chamei até ficar sentada em frente a sua penteadeira e ela me obedeceu.
E cerca de trinta minutos depois, um sorriso reluzente estava de volta ao seu rosto.
—Eu amei, Ayla!— ela grita empolgada e em seguida, me abraça.
Eu havia acabado de consertar o seu cabelo, fazendo um delicado corte Chanel em seus fios. O lado mais curto onde ela havia cortado e o restante do cabelo caindo perfeitamente sobre seu rosto, com pequenas ondas loiras e cintilantes.
—Obrigada, Ayla. Você é tão boa pra mim. Eu não queria ter feito isso com você.— Ela resmunga ao final e de repente, seu sorriso se apaga.
—Fazer o quê, Emma?— insisto na pergunta e me sento em sua frente.
—A Bianca.— Ela começa. —Ela me levou até o quarto e disse que eu cortasse o meu cabelo. Eu falei que não faria isso e ela só me disse que se não fizer, iria tirar tudo de mim quando casasse com o meu pai. Que também iria descontar nele. E eu quero que o meu papai seja feliz, Ayla.— Ela diz, enquanto volta a soluçar.
Eu me aproximo dela e abraço, vendo o peso que a dor de uma manipulação pode causar em uma garota com um coração perfeitamente bom.
—Eu não sabia que ela iria pôr a culpa em você. Não foi culpa sua. E eu não quero que o meu pai case com ela.
—Ele não irá casar com ela, Emma. Eu prometo a você. E o seu pai será muito feliz— me vejo falando numa convicção cega, como se o futuro lampejasse em mim. —E nada disso é culpa sua. Você apenas ganhou um lindo novo corte de cabelo.
Consigo fazê-la sorrir, e minutos depois a deixo assistindo seus desenhos favoritos em seu quarto e eu desço, a procura de saber qual meu novo destino.
Juan está sentado na sala de estar, encarando fixamente a parede, os cotovelos encostados em seus joelhos, enquanto com sua mão segura o queixo. Parece pensativo, perturbado.
—Ela está bem.— Eu afirmo, anunciando minha presença.
Juan apenas dá um único assento com a cabeça e não fala mais nada.
—O que queria falar comigo?— insisto.
—Por que o Ax te ofereceu um emprego? Está pensando em sair daqui?— ele pergunta diretamente e o seu olhar encontra o meu.
Engulo em seco e apenas nego com a cabeça, enquanto me atrevo a me aproximar mais um pouco, dando a volta no sofá.
—Eu não faço ideia do por que ele me ofereceu, eu literalmente havia acabado de o conhecer. E sr. Barichello, não pretendo sair daqui até que você não me queira mais.

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