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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 113

Capítulo 113

Juan estava parado em frente à porta da casa rústica e sombria, situada nos arredores de uma floresta densa. O ar matutino estava impregnado com o cheiro da terra úmida e das folhas em decomposição, trazendo uma sensação de isolamento e mistério.

Ele respirou fundo, reunindo coragem antes de bater na porta de madeira desgastada. O som de seus nós dos dedos ecoou pelo ambiente silencioso, quebrando a calma tensa daquele início de manhã. Minutos se passaram até que a porta se abriu lentamente, rangendo em protesto.

Ax apareceu na entrada, seus olhos penetrantes refletindo uma mistura de surpresa e desconfiança.

—Juan?— Ax perguntou, seus olhos varrendo Juan de cima a baixo. Sua voz grave e cautelosa revelava sua perplexidade. —O que você está fazendo aqui?

Juan esboçou um sorriso curto e enfiou as mãos nos bolsos, tentando parecer descontraído.

—Não vai me convidar para entrar, Ax?— ele perguntou diretamente, ignorando a tensão palpável no ar.

Ax franziu a testa, ainda confuso com a presença inesperada de Juan, mas deu um passo para o lado, permitindo que ele entrasse.

—Entre,— disse Ax, relutante.

Ao cruzar o limiar da casa, Juan sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O interior era ainda mais sombrio do que ele imaginara, com móveis antigos e pesados que pareciam absorver qualquer vestígio de luz. Cortinas espessas bloqueavam a claridade natural, criando um ambiente opressivo e desconfortável, que destoava completamente da imagem que Juan tinha de Ax.

Juan caminhou lentamente, seus olhos explorando cada detalhe. Cada peça de mobília, cada objeto parecia carregar uma história, um segredo. Sua curiosidade crescia a cada passo.

—Então, o que aconteceu para você aparecer assim aqui, nesse fim de mundo, sem aviso?— Ax insistiu, fechando a porta com um movimento brusco que ecoou pela casa.

Juan parou de inspecionar o ambiente e se virou para encarar Ax.

—Procurei você na sua antiga casa, mas disseram que você não morava mais lá. O que aconteceu?— Sua voz era firme, mas havia uma nota de preocupação genuína.

Ax suspirou profundamente, seus ombros caindo sob o peso de um cansaço invisível.

—Minha esposa simplesmente decidiu que não me quer mais,— respondeu ele, sua voz tingida de amargura. —Ainda não sei a razão.

Juan riu ironicamente, enfiando as mãos nos bolsos novamente.

—Não foi porque ela descobriu suas traições?— Ele perguntou, um sorriso sarcástico curvando seus lábios.

Ax deu de ombros, aparentando uma indiferença que beirava o descaramento.

—Se você acha que só isso é razão para um divórcio.— Ax replicou, e Juan quase sorriu diante da audácia do amigo. —Quer beber algo?— Ax ofereceu, mudando de assunto abruptamente.

Juan hesitou por um momento antes de responder.

—Sim, aceito,— disse ele, sua curiosidade agora misturada com uma leve apreensão sobre o que mais poderia descobrir naquela casa sombria.

—Uma cerveja seria bom.— Ele diz.

Ax desapareceu em uma cozinha adjacente por um momento, retornando com duas garrafas de cerveja barata. Ele entregou uma a Juan e se sentou em uma poltrona velha, observando seu visitante com curiosidade. Eles brindaram silenciosamente, a cerveja fria oferecendo um breve alívio da tensão.

—Então, como está a vida?— Ax perguntou, tentando soar casual, mas claramente ainda intrigado com a visita inesperada de Juan.

Juan tomou um gole da cerveja, sentindo o líquido amargo descer por sua garganta e depois de alguns segundos de silêncio, ele respondeu:

—As coisas têm sido complicadas. Muitas mudanças.— Responde o mais simples e curto que ele poderia.

Ax arqueou uma sobrancelha, ainda mais intrigado do que antes.

—E você veio até aqui para atualizar sobre a vida?— ele pergunta, um tom de ironia presente em sua voz.

Juan balançou a cabeça em negação, e tomando mais um gole de cerveja, respirou fundo. Porque a verdade era que ele realmente não tinha tempo a perder e nem queria desperdiçar nem um segundo sequer. Porque a verdade era que ele sabia que, naquele ponto que se encontrava a vida ao seu redor, um único milésimo de segundos, faria toda a diferença.

Por isso, Juan cede, e finalmente responde:

—Não é só isso. Há algo mais.

No mesmo instante, Ax se inclinou para frente, ele conhecia Juan o suficiente para saber que algo estava errado. E logo, a sua curiosidade se transformou em preocupação.

—O que está acontecendo, Juan?— Ax pergunta, por fim, verdadeiramente preocupado.

Juan inspira e expira, enquanto as palavras que lutavam para sair pesam em sua mente.

—Alison está viva.— Ele finalmente diz aquilo em voz alta e Ax reage exatamente como Juan previu.

O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Ax ficou imóvel, o choque evidente em seu rosto. Assim como a intensa incredulidade.

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