Capítulo 131
Juan despertou com um sobressalto, o coração martelando no peito e o suor escorrendo pela testa. Seus olhos abriram-se bruscamente, e ele levou um momento para reconhecer o quarto à meia-luz, a segurança familiar do ambiente contrastando com o terror que acabara de vivenciar.
Ayla estava deitada ao seu lado, dormindo pacificamente, uma mão repousando protetoramente sobre a barriga.
Juan sentiu um alívio intenso ao vê-la assim, mas o medo persistia, enraizado profundamente em seu coração.
Ele passou a mão pelo rosto, tentando dissipar as sombras do pesadelo. A lembrança de Alison, as ameaças, o medo – tudo parecia tão real. Mas não podia se deixar paralisar por um sonho, por mais vívido que fosse. Ele precisava proteger sua família.
Ainda ofegante, Juan se levantou da cama com cuidado para não acordar Ayla. Foi até o quarto de Emma e, ao abrir a porta, viu a menina dormindo tranquila, o rosto sereno, completamente alheia ao tumulto do coração de seu pai.
Ele observou-a por um momento, permitindo-se sentir o conforto de sua inocência.
Ao voltar para o quarto, Juan encontrou Ayla acordada, esfregando os olhos, enquanto se sentava lentamente na cama.
—Você está bem?— ela perguntou, a voz suave e rouca, mas carregada de preocupação.
—Um pesadelo,— Juan respondeu, tentando soar mais calmo do que realmente estava. —Foi apenas um pesadelo.—
Ayla o olhou, confusa, os olhos cobertos de preocupação e um amor calamitoso.
—Você teve um pesadelo?— ela pergunta, tentando compreender toda aquela situação e Juan simplesmente assente.
Ayla sente seu coração apertar ao ver que uma nuvem de terror, ainda parecia cobrir os olhos de Juan. Ela então, estendeu a mão para ele, o convidando para se sentar ao seu lado.
Quando ele o faz, ela segura a mão dele com firmeza.
—Quer falar sobre isso?— ela perguntou, de modo amigável.
Juan hesitou por um momento, não queria recordar daquele pesadelo, e também não queria amedrontar Ayla com seus próprios medos. No entanto, ele viu a preocupação e a ansiedade estampados no rosto dela, e então decidiu contar.:
—Sonhei com Alison. Ela estava aqui, na casa de Ryan. Disse que não poderíamos fugir dela, que faria de tudo para nos destruir.—
Os olhos de Ayla se arregalaram, e ela apertou ainda mais a mão dele, sabendo que aquele pesadelo também a deixaria horrorizada.
—Foi apenas um sonho ruim, Juan. Alison está longe daqui. Não pode nos machucar.— Ayla fala em seguida, tentando o tranquilizar, enquanto sentia sua própria alma em agonia.
Juan queria acreditar nisso, mas o pesadelo parecia um presságio, um aviso sombrio. Nada tirava de sua cabeça de que aquilo aconteceria; mais cedo ou mais tarde.

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