A tarde estava cinzenta quando Ayla voltou da rua, com o casaco apertado em volta do corpo como se pudesse conter o tremor que vinha de dentro. A casa de Ryan parecia estranhamente quieta, mas logo ela ouviu Emma rindo com Amanda na cozinha. Juan estava na sala de estar, mexendo no celular, tenso.
Ayla segurava o telefone nas mãos, suadas. O coração batia tão forte que ela teve medo de não conseguir falar. Mas não podia mais esconder aquilo.
Ela respirou fundo, atravessou a sala e parou na frente dele. Juan ergueu os olhos, franzindo a testa ao ver o estado dela.
— O que foi? — perguntou, voz baixa, preocupada.
Ayla estendeu o celular sem dizer nada. Na tela, a mensagem curta, com a assinatura cruel no fim:
“Você acha mesmo que pode me parar? Vocês todos vão pagar. A.”
Juan leu uma vez. Depois de novo. A mão dele tremia enquanto apertava o telefone. As veias no pescoço saltaram. Ele se levantou tão abruptamente que a poltrona quase virou.
— Filha da puta! — gritou, arremessando o celular no sofá.
Ayla deu um passo para trás, assustada com a explosão.
— Juan, por favor... — tentou, mas ele já andava de um lado para o outro, como um animal enjaulado.
— Eu vou matá-la. Eu JURO que vou. Eu devia ter terminado isso anos atrás! — o tom era grave, sufocado de raiva.
Ayla respirava rápido. Ela apertou os olhos, segurando as lágrimas.
— Você precisa se acalmar. — Ayla tenta.
Juan parou. Os olhos escuros queimavam.
— E o que você quer fazer? Fugir? Se esconder para sempre?
— Não é se esconder. É nos proteger. Proteger a Emma.
— Você acha que eu vou esperar aquela louca encostar um dedo nela?
Ayla balançou a cabeça, lágrimas finalmente escapando.
— Eu também não quero fugir, Juan. Eu não vou passar a vida correndo dela! Mas você não vê que é isso que ela quer? Nos ver quebrados?
— Melhor quebrados do que mortos! — ele berrou.
O silêncio caiu pesado na sala. O som de um riso distante de Emma vindo da cozinha parecia cruel, destoante.
Ayla respirou fundo, tentando se recompor. A voz falhou:
— Eu não quero que ela vença, Juan. Mas não podemos deixar o medo decidir tudo.
Juan suspirou, passou as mãos no rosto. Os olhos estavam vermelhos, úmidos.

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