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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 137

Capítulo 137

A manhã seguinte estava abafada, o ar pesado, como se o céu previsse tempestade. Juan dormira mal. Tinha passado metade da noite fitando o teto, a outra metade no celular, revisando antigas mensagens de Alison, procurando pistas em cada vírgula.

Na cozinha da casa de Ryan, Ayla preparava o lanche de Emma para a escola. Emma estava estranhamente calada, ainda digerindo a sessão com o psicólogo no dia anterior.

Juan estava pronto para sair quando Ayla o segurou pelo braço.

— Onde você vai agora? — a voz dela saiu num sussurro tenso.

— Checar o antigo apartamento dela. — respondeu. — Preciso de alguma pista. Qualquer coisa.

Ayla mordeu o lábio.

— Você não quer esperar um pouco?

— Não. — Juan puxou o braço com cuidado. — Quanto mais tempo dermos para ela, mais ela vai brincar com a nossa cabeça.

Emma os olhava da porta, mochila nas costas. Juan se ajoelhou para ficar da altura dela.

— Se cuida hoje, pequena.

Emma o abraçou com força.

— Você vai ficar bravo de novo hoje?

Juan congelou.

— Vou tentar não ficar.

Ayla observou a cena, com o coração apertado.

Mais tarde, Juan e Ax estacionaram numa rua estreita e mal asfaltada.

O prédio era velho, cheio de rachaduras, o cheiro de mofo saindo pelas janelas.

— Belo lugar pra se esconder. — resmungou Ax, enfiando as mãos nos bolsos.

— Calado. — Juan rosnou. — Fica atento.

Subiram as escadas rangentes até o terceiro andar. A porta do apartamento 303 estava apenas encostada. Juan a empurrou com o pé, devagar.

O cheiro de coisa podre e papel molhado os atingiu.

— Jesus. — Ax tapou o nariz com o braço.

O chão estava coberto de jornais velhos. Armários abertos, pratos quebrados no chão. Mas algo dizia a Juan que aquilo não era abandonado fazia muito tempo.

— Olha isso. — murmurou Ax, chutando um cobertor sujo no chão. — Tem comida vencida aqui. Mas não tão vencida.

Juan se aproximou, pegou uma embalagem de biscoitos. Ainda estava macia.

— Ela esteve aqui há no máximo alguns dias. — constatou, os olhos fervendo.

— Ou alguém esteve.

Juan o encarou.

— Você adora complicar tudo.

Ax ergueu as mãos.

— Eu só tô dizendo.

No canto do quarto, Juan viu uma mala aberta. Dentro dela, roupas femininas, um frasco de perfume barato, um caderno com folhas arrancadas.

Ele se abaixou e folheou o caderno. A maioria estava em branco. Mas no meio havia uma página rabiscada com uma letra conhecida.

“Quer saber onde estou? Continue me seguindo. Você nunca entendeu nada mesmo.” — A.

Juan amassou a página.

— Desgraçada.

— Deixa eu ver isso. — Ax tomou o papel. — Que mulher teatral.

Juan explodiu.

— Acha isso engraçado?

— Não! — Ax levantou as mãos. — Só digo que ela sempre foi assim, cheia de planos mirabolantes.

— Como você sabe disso?

Ax hesitou.

— Eu convivi com ela muito tempo.

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