Capítulo 141
A manhã seguinte nasceu cinzenta, como se o céu refletisse o peso que pairava sobre todos. Juan saiu cedo com Ax para investigar mais uma das pontas soltas deixadas por Alison. Emma foi deixada na escola, sob o olhar atento do segurança. E Ayla... não conseguiu voltar pra casa.
Havia uma inquietação dentro dela. Um zumbido constante, como uma intuição gritando no fundo da alma.
Ela estacionou em frente à delegacia.
Hesitou antes de entrar. Sentia as mãos suadas. O estômago encolhido.
Mas precisava olhar nos olhos de Diana outra vez. Precisava entender até onde sua irmã estava envolvida.
Quando entrou, os olhares curiosos dos policiais a seguiram até a recepção. Ela pediu para falar com a delegada Diana Green. A recepcionista a olhou com certa surpresa, mas sinalizou para que aguardasse.
Minutos depois, Diana surgiu na porta com a mesma postura impenetrável de sempre.
— Você de novo? — disse com frieza.
— Precisamos conversar — respondeu Ayla, firme, mas com o coração martelando dentro do peito.
Diana bufou, mas fez um gesto com a cabeça para que ela a seguisse até sua sala.
A porta se fechou atrás delas com um clique seco.
Diana sentou-se atrás da mesa. Ayla permaneceu de pé.
— Não tenho muito tempo pra joguinhos emocionais. Seja direta.
— Eu sei que você está escondendo alguma coisa sobre a Alison.
Diana não reagiu de imediato. Pegou uma caneta sobre a mesa e começou a girá-la entre os dedos.
— Isso é um delírio seu. Você não parou para pensar que ela realmente possa estar morta? A mulher morreu, Ayla. Morreu e ponto final.
— Você viu o corpo?
Diana parou de girar a caneta. Seus olhos pousaram sobre Ayla, frios.
— Vi a autopsia. Era meu trabalho.
— Ah, você sabe que foi falsificado.
— Eu diria que você está se metendo em algo que não entende — respondeu ela, a voz tensa, com uma ponta de raiva contida.
— Você sabia, não sabia? — Ayla avançou um passo. — Você ajudou ela. Ajudou a desaparecer.
Diana se levantou lentamente, como se cada músculo tivesse sido puxado por fios invisíveis.
— Você tem alguma noção do que está dizendo?
— Tenho. Mais do que gostaria. Assim como de repente descobrir que você também conhece Sunny. Que tomou café com ela, como amigas. Mas algo me diz que... ela não é quem diz ser.
Um silêncio mortal caiu sobre a sala.
— Isso é uma acusação? — Diana sussurrou, a voz cheia de veneno.
— Isso é um pedido, Diana. De irmã pra irmã. Me diz a verdade. Por uma vez na vida, confia em mim.

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