Capítulo 142
Era fim de tarde quando Juan ligou para Ax. O tom de voz estava gelado:
— Encontrou alguma coisa?
Ax suspirou do outro lado da linha:
— Eu descobri o hospital onde saiu a certidão de óbito. Mas você não vai gostar.
— Me encontra na garagem em cinco minutos. — Juan desligou antes de ouvir resposta.
Quando Ax chegou, Juan estava encostado no carro, os braços cruzados. As olheiras denunciavam noites sem dormir.
— Fala. — Juan ordenou sem rodeios.
— É o Santa Tereza. Pequeno, quase ninguém fiscaliza nada lá. Você sabe o tipo de lugar...
Juan o encarou com raiva contida.
— Você conhecia ela melhor do que eu pensava, não é?
Ax engoliu seco.
— Juan, escuta. Eu e Alison éramos primos, sim. Eu ria das maluquices dela. Mas eu nunca pensei que ela fosse tão... — ele procurou as palavras — ...doente.
— Você riu. Você achou engraçado. Enquanto ela destruía a minha filha.
O silêncio que se seguiu era sufocante. Ax desviou o olhar.
— Vamos logo. — Juan abriu a porta do carro.
No caminho, Juan encarava a estrada sem piscar. O motor roncava pesado.
Na mente dele, um mantra girava: Preciso de provas. Preciso acabar com ela.
Mas junto disso vinha uma dor estranha, uma culpa enfiada como espinho: Emma não é minha. Ryan. Deus, Ryan...
Ele apertou o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
O hospital era um prédio feio, descascado, com cheiro de desinfetante azedo.
Na recepção, uma mulher de meia-idade os atendeu com tédio.
— Certidão de óbito antiga? Olha, vocês vão precisar falar com o arquivo.
No subsolo, um funcionário relutante os levou até uma sala de registros poeirentos.
Juan mostrou o nome de Alison no celular.
— Procure isso.
O homem fuçou pastas velhas até achar um envelope manchado.
Juan arrancou da mão dele e abriu.
Um silêncio mortal caiu.
— Documento oficial. Selo da prefeitura. Assinado por um legista que morreu faz dois anos.
Ax puxou o papel.
— Ele morreu antes de assinar isso, cara. — ele deu uma risada nervosa. — Isso aqui é uma piada.
Juan respirou fundo.

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