O carro parou na frente da casa de Ryan. Juan desligou o motor, mas continuou segurando o volante como se pudesse esmigalhá-lo. O som do motor morrendo foi substituído por um silêncio espesso.
Emma ainda dormia, o rosto calmo demais para tudo que tinha dito. Ayla a observava, passando os dedos pelos fios de cabelo, mas o tremor em sua mão era impossível de disfarçar.
— Ela estava lá, Juan. — Ayla falou, baixo, tentando não acordar a menina. — Alison esteve lá. Falou com ela. E se amanhã for pior?
Juan não respondeu de imediato. Ele encarava o retrovisor, onde via o reflexo de Emma. Aquele rosto inocente. Aquele pesadelo vivo.
— Vai piorar. — ele disse, finalmente. — Ela está escalando. Quer nos quebrar. Quer Emma.
Ayla fechou os olhos com força, sentindo as lágrimas queimando.
— A gente não pode mais fingir que dá pra lidar com isso assim, Juan. A segurança aqui não basta mais. Ela já provou isso.
Juan respirou fundo, a raiva vibrando nas têmporas.
— Eu sei. Eu sei disso, porra.
Ele bateu o punho no volante, fazendo o barulho seco ecoar no carro. Emma se remexeu, resmungando algo incoerente.
Ayla se virou para ele, a voz falhando:
— Precisamos ir embora.
Juan virou a cabeça devagar, olhos ardendo.
— Você quer fugir?
— Não é fugir. É sobreviver. É proteger ela.
Ele bufou, balançando a cabeça.
— Não vou dar isso pra ela. Não vou deixar Alison ganhar.
— Juan...
— Não vou! — ele sussurrou, a voz quebrada. — Não vou abandonar a casa do meu irmão. Não vou largar tudo que construí. Não vou dar a minha filha pra ela. Nunca.
O silêncio foi pesado. Ayla o observava com uma mistura de medo e pena. Ela apoiou a mão no braço dele, tentando trazer alguma humanidade de volta para aqueles olhos escuros.
— Não estou dizendo que vamos dar Emma pra ela. Mas se ficarmos aqui, ela vai encontrá-la de novo. Vai machucar ela. Vai brincar com a cabeça dela até quebrá-la. É isso que você quer?
Juan respirava como um touro enfurecido.
— Eu queria poder matá-la. Só isso.
— Eu sei. — Ayla respondeu, a voz embargada. — Eu também.
Eles ficaram assim, parados, presos entre orgulho e pânico, até que a porta da casa se abriu. Ryan apareceu na soleira. A aparência dele estava péssima, olheiras profundas, a pele pálida, os lábios secos.
Ele ergueu a mão num aceno hesitante.
— Vocês vão entrar ou vão morar aí?
Juan saiu do carro sem olhar para ele. Ayla pegou Emma com cuidado, ajeitando o corpo dela contra o peito, como se a pudesse proteger de todos os males do mundo.
Eles entraram.
Na sala, Amanda os recebeu com um olhar preocupado.
— Como ela está?
Ayla balançou a cabeça.

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