O caos se espalhou como fogo em palha seca.
Alarmes começaram a soar na mansão. Gritos ecoavam pelos corredores enquanto os empregados, em pânico, corriam de um lado para o outro, tentando entender o que fazer, onde ir, como sobreviver. O ar parecia mais denso, como se cada respiração viesse acompanhada de fumaça e medo. Quadros caíam das paredes, o piso vibrava com o peso do pânico, e o som de vidros estilhaçando se misturava ao som contínuo dos alarmes.
Ayla desceu as escadas com Emma nos braços, o rosto contraído de medo, mas determinada. O coração martelava no peito, mas suas pernas se moviam com força, como se fosse a única âncora entre a menina e o abismo. A menina chorava baixinho, agarrada ao pescoço dela, sem entender por que estavam fugindo de casa, por que Ayla tremia tanto, por que o coração dela batia tão forte contra o seu.
— Vai ficar tudo bem, meu amor... vai ficar tudo bem... — Ayla repetia, mais para si mesma do que para Emma. Suas palavras tremiam, falhavam, mas ela as cuspia como um feitiço — um que pudesse protegê-las de tudo aquilo.
No hall principal, Amanda dava ordens com firmeza, ajudando os empregados a saírem pelos fundos da mansão. Ela estava suada, a maquiagem borrada, mas com os olhos duros como pedra.
— Pelo jardim! Todos! Nada de corredores centrais! Vamos, AGORA!
Ela agarrou a mão de uma das cozinheiras mais velhas, que tremia de medo, e a puxou consigo. O pânico era sufocante, mas Amanda manteve a postura. Ela sempre manteve. Mesmo diante da ameaça de explosão. Mesmo sabendo que tudo o que construiu estava prestes a virar pó.
Na sala de estar, Juan e Ryan estavam frente a frente.
Olhos nos olhos. Um confronto silencioso, intenso, prestes a explodir como as próprias bombas espalhadas pela casa.
— Você não vai chegar perto da minha filha, — rosnou Juan, com os punhos cerrados. — Nem mais um passo, Ryan.
— Não tô tentando pegar a Emma, — respondeu Ryan, respirando rápido, ofegante. — Tô tentando impedir que você morra junto com essa casa estúpida.
Juan deu um passo à frente, olhos faiscando.
— Estúpida? Essa casa é onde nossa família viveu, onde a Emma nasceu! Onde a Amanda reconstruiu o que sobrou da sua vida! Você acha que eu vou simplesmente sair e deixar ela explodir tudo?!
— Vai morrer por um punhado de tijolos? Por orgulho? — Ryan rebateu, num tom ríspido, mas com um fundo de desespero. — Isso aqui já era, Juan! Não importa o que representou! Você tem uma filha pra proteger, uma mulher que te ama, e ainda tá preso ao passado como se ele fosse te salvar!

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