O toque de alerta vibrava nos celulares espalhados pela sala. Era uma sinfonia dissonante de avisos, zunidos e luzes piscando, que interrompeu o silêncio já tenso como um estalo de chicote. Quase simultaneamente, todos os presentes sacaram seus aparelhos, confusos com a notificação repentina.
Era uma mensagem de vídeo.
E o remetente gelou a espinha de todos: Alison.
Amanda foi a primeira a abrir. Seus dedos tremiam levemente, o coração disparado, como se já soubesse que nada ali seria normal. A imagem tremia também, como se tivesse sido filmada às pressas, com urgência e propósito. A tela revelou o interior da mansão de Juan — mas não como a conheciam. Cada canto familiar havia se transformado em um campo minado.
Corredores, salas, escadas, entradas e saídas — tudo aparecia na tela com um padrão aterrador: explosivos. Fios vermelhos e pretos conectados a placas de detonação. Sensores de movimento. Temporizadores. Tudo real. Tudo armado. Tudo pronto para transformar a casa em ruínas.
Amanda levou a mão à boca, sem conseguir desviar os olhos. Ayla paralisou, os olhos arregalados, a garganta seca. Até o ar parecia mais denso.
Então a imagem cortou.
O rosto de Alison preencheu a tela. Estava impecável, maquiada com precisão cirúrgica. O batom vermelho, intenso, destacava o contraste com o olhar frio e letal. A iluminação amarelada da gravação a envolvia como uma sombra, acentuando a aura de uma mulher que havia cruzado o limiar da loucura — mas com método.
— Se vocês acham que podem me tirar tudo e sair impunes... estão muito enganados, — ela começou, com a voz firme, sem tremer. — Esta casa está cheia de bombas. Todas conectadas. Todas sob meu controle.
Fez uma pausa. Aproximou o rosto da câmera, e o olhar atingiu quem assistia como uma faca.
— Me entreguem a Emma. Agora. Ou eu explodo tudo. E juro por tudo que já perdi... que não vai sobrar pedra sobre pedra.
A gravação foi encerrada abruptamente.
A sala mergulhou num silêncio quase irreal. Era como se o tempo tivesse parado. Como se o ar tivesse sido arrancado de todos os pulmões.
O primeiro a quebrar o momento foi Juan.
— Filha da PUTA! — ele explodiu, arremessando o celular contra a parede com tanta força que o aparelho se partiu em pedaços. — Ela enlouqueceu! Ela tá ameaçando a minha filha! EU VOU MATÁ-LA!
Amanda se encolheu no sofá, o rosto entre as mãos, tremendo. Ayla levou as mãos à boca, um soluço preso na garganta. O terror ainda não tinha forma, mas já era palpável.

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