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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 157

Meses se passaram desde aquela noite.

A noite em que Ryan sorriu pela última vez, encarando o mundo com a calma de quem sabia que, enfim, tinha feito o certo.

A noite em que uma casa caiu… e uma família se levantou.

Eles foram embora no dia seguinte. Sem festa. Sem adeus. Só com o que podiam carregar e aquilo que não podiam deixar: as lembranças. As marcas. As dores e as pequenas alegrias que ainda se escondiam entre os destroços.

A cidade nova era silenciosa, cercada de árvores e de gente que não sabia nada sobre eles. E isso era um alívio. Ayla escolheu o lugar — uma casa modesta, de varanda larga e um quintal com grama alta que Emma adorou à primeira vista. Tinha espaço para recomeços ali. E era tudo o que precisavam.

Ayla ainda acordava no meio da noite, o coração disparado, como se o passado insistisse em sussurrar seu nome. Mas agora, havia silêncio depois do susto. Havia um braço que a envolvia devagar — o de Emma, ou o de Juan, quando vinha buscá-las no sofá. Havia café no dia seguinte. Havia risos. Havia a voz de Emma perguntando se podiam plantar flores no quintal.

Emma, com seus olhos grandes demais para uma infância tão curta, fazia terapia duas vezes por semana. Aos poucos, deixou de desenhar mansões em chamas e começou a desenhar árvores, mãos dadas, céu azul e quatro pessoas. Às vezes, pedia para escrever no desenho: “papai, tia Ayla, o bebê e eu”.

Alison foi presa. Sem recursos, sem saída, sem mais desculpas. E não houve alívio, não exatamente. Mas houve justiça. E isso era quase paz.

Ayla confiava em Juan como se algo dentro finalmente tivesse se curado. Às vezes, brigavam por bobagens — uma pia cheia, um sumiço sem aviso — mas terminavam rindo, lavando a louça juntos.

Ayla observava tudo com o cuidado de quem já perdeu demais. E também com a esperança de quem quer, pela primeira vez, ficar. Não fugia mais. Não mentia para si. Não empurrava o amor para longe — não o amor romântico, mas o amor de ser cuidada, o amor de pertencer a algo, o amor de ser chamada de família por pessoas que não te exigem nada além de você mesma.

Numa tarde calma, depois de Emma adormecer no sofá com um livro no colo, Juan se sentou ao lado Ayla. Havia chá na mesa. O som dos grilos começava a encher o quintal. O céu era um laranja que doía de tão bonito.

Ele olhou para ela. Os olhos marejados, mas firmes.

— Ninguém mais vai machucar vocês.

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