Eu tentei pensar o mais rápido que podia, tentando reaver tudo que poderia ter dado de errado naquele momento.
Encarei de Ryan para Juan rapidamente. Confusa pela insinuação sem fundamentos de Ryan e temendo que Juan pudesse ter ouvido aquilo e ter compreendido tudo equivocadamente.
Sabendo do meu dom natural de falar demais e arruinar tudo ao meu redor, eu optei pelo silêncio para poder analisar o que de fato Juan ouviu ou não.
—Do que Ryan está falando, Ayla? O que vocês têm em comum para estarem falando sobre mim?— Juan volta a perguntar.
Eu engoli em seco, sabendo que deveria tentar o máximo desconversar daquele assunto, porque aparentemente ele estava alheio ao conteúdo completo que Ryan e eu falávamos.
—Eu estava sem sono e desci para tomar alguma coisa.— Começo a explicar e trato de agir de modo mais indiferente possível. —Encontrei seu irmão aqui embaixo e estávamos conversando.
Juan olha pra Ryan, como se buscasse confirmação de que eu estava falando a verdade. Ryan não consente ou nega, apenas permanece impassível olhando de mim para o seu irmão.
—E por que de repente eu estava no meio desse assunto?— ele insiste em saber.
Naquele instante, soube que precisava ser inteligente. Não tinha certeza se Juan ouvira todo o conteúdo ou não, por isso, a minha única vantagem seria usar aquilo ao meu favor. O golpe inverso.
—E acontece que Ryan pensou que você e eu tínhamos algo, além de uma relação profissional. O que seria impossível.— Comento, revirando os olhos e sorrindo.
—Completamente impossível.— Juan afirma, sério.
E a verdade é que eu não sei a razão do meu coração ter apertado de um modo tão amargo em meu peito ao ouvir aquilo. Talvez fosse apenas a emoção e pressão daquele momento.
—E você? Por que não está dormindo?— Ryan finalmente abre a boca.
—Você sabe que eu não durmo.— Juan responde simplesmente, mas seus olhos ainda seguem presos nos meus.
Seu humor e expressão não pareciam nem de longe os mesmo de horas antes. O Juan mais comunicativo e divertido, agora perdeu seu lugar para o Juan original. O frio, de poucas palavras e muitas vezes, cruel.
—Ayla, pode nos deixar a sós?— ele pergunta em seguida, de repente.
Olho pra Ryan e ele parece prestes a dizer algo, como se não quisesse que eu fosse embora. Mas eu precisava. Tinha a certeza que naquele instante, precisava me afastar do drama daqueles dois irmãos.
—Tudo bem. Irei tentar dormir. Boa noite aos dois.— Eu digo e saio rapidamente daquela cozinha.
Enquanto volto para o quarto, o silêncio parecia sussurrar em meu ouvido, uma vez que a minha curiosidade em saber o que os dois poderiam estar conversando naquele instante, gritava a plenos pulmões para mim.
Durante todo o resto da noite, não consegui dormir. Na minha mente, só girava a pergunta sobre o comentário anterior de Ryan; de onde ele poderia ter tirado que existia qualquer coisa em mim que desejasse estar com Juan? Aquilo não fazia o menor sentido. E a verdade é que se eu tentasse compreender, eu apenas ficaria louca. E isso eu já era o suficiente.
Na manhã seguinte, tudo parecia estar calmo, apesar da família agitada de Juan que já enchia a casa de barulho.
—Escutem, por favor!— eu escutei um grito bem agudo assim que desci as escadas. —Essa tarde teremos um almoço muito especial pra comemorar a gravidez da nossa prima Margaret.
Pude observar que era a senhora Barichello gritando a plenos pulmões, e conseguindo a atenção desejada.
—Portanto, peço as mulheres da família que venham nos ajudar. E quantos aos homens, apenas saiam de perto e não atrapalhem.
Eu sorri enquanto os homens da família pareceram aliviados com aquele anúncio. Eu estava começando a me afastar, quando ouvi a senhora Barichello gritar em minha direção.
—Ei, menina, pra onde você pensa que está indo?— ela perguntou, as mãos na cintura e me olhando de cima a baixo.
—Eu....— eu comecei a gaguejar, olhando para os lados. —Achei que era apenas algo entre família e eu não...
—Bobagem! Você já é da família.— Ela anuncia e me puxa rapidamente. —Você deve estar se perguntando porque eu não pago alguém pra cozinhar aqui, não é?
Ela começa a falar enquanto me arrasta até a cozinha e eu confirmo o que ela me pergunta.
—Então, quando você provar minha comida, você saberá.
Eu sorrio e várias mulheres que estavam ali presentes, se reúnem na cozinha. Cada uma com sua tarefa especifica. Até Emma estava na cozinha, o que me deu a abertura perfeita para também ficar de olho nela.
Eu me diverti naquela manhã mais do que pensei ser possível.
Assim que o caos naquela cozinha enorme reduziu, apenas eu, a senhora Barichello e Emma ficamos naquele espaço, enquanto vigiávamos as comidas no fogão.
—Você está trabalhando para o Juan há muito tempo?— ela pergunta enquanto Emma fica com a atenção presa em uma vasilha suja de massa de bolo.
—Há algumas semanas, senhora Barichello.— Respondo.
—Não, me chame de Rita.— Ela fala rapidamente e toca em meu braço. —Aquela ligação que você fez na última semana me deixou extremamente preocupada.
—Mas eu não...— tentei falar e dizer que nunca havia falado com ela antes, mas ela me interrompeu.
—Você sabe mais sobre essa investigação que estão envolvendo o meu Juan? Será que ainda tem alguma coisa a ver com a morte da Alison?
Investigação? Por mais que eu esteja confusa naquele instante, a minha curiosidade é maior. Ax já havia mencionado anteriormente que estava existindo uma investigação acerca da esposa do Juan, mas não sabia que era tão profundo dessa maneira.
—Eu não faço ideia, dona Rita.— Eu respondo sinceramente.

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