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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 20

O ar parece mais pesado naquele instante. O coração de Ayla se acelera e o de Ryan se aperta em seu peito.

Juan percebe a intensidade daquele momento e ele só quer que toda aquela confusão se dissipe, porque a sensação de impotência o fazia se sentir ainda pior, principalmente ao notar o olhar ansioso de Ayla para o seu irmão.

Amanda assistia toda aquela cena que parecia ter sido congelada no tempo, e Juan interviu.

—Amanda.— Ele falou ao se aproximar dela.

Fazia meses que Juan não falava com sua cunhada, mas ao perceber a proximidade que Ryan e ela estavam novamente, ele concluiu que, de alguma maneira, havia existido uma explicação pra tudo que aconteceu. Então se Ryan pôde perdoá-la, ele poderia ao menos tentar.

Isso deu abertura para que Ryan se aproximasse de Ayla do outro lado da sala.

—Oi.— É tudo que ele fala, com uma frieza que Ayla jamais vira saindo dele.

—Oi.— Ela responde nervosa e tenta brincar com suas mãos.

Seu coração se acelera e ela começa a suar, mesmo que estivesse sentindo frio. Ela temia olhar nos olhos de Ryan e vê a verdade que ela se recusava a ouvir.

Ryan se sentia extremamente culpado pela confusão presente no rosto de Ayla, mas não havia nada que ele pudesse entregar a ela naquele momento além da verdade.

—Vocês se acertaram?— Ayla não consegue evitar perguntar, ainda que temesse a resposta.

Ryan olha para trás e vê Juan conversando com Amanda, ainda que ela não tire os olhos de Ryan e Ayla. E ele só sabe que deveria puxar aquele band-aid de vez, mesmo que isso culminasse em um intenso sangramento. Ele também sentiria isso. Também nunca foi fácil ser a pessoa que vai, a pessoa que machuca. Aquilo ricocheteava em seu peito do mesmo modo.

—Ayla, embora doa tanto aceitar, e eu morra de vontade de te dar o que me queima em meu coração agora, não seria justo.— Ele começa. —Talvez em outra vida, isso se torne justo. Talvez em outra vida seja primeiro você, mas...

—Nesta vida não.— Ayla conclui aquela frase, mesmo que sua voz fraqueje. E de alguma maneira, ela consegue sorrir.

—Ayla, eu espero que você me perdoe. É que a Amanda e eu, nós temos... Droga, nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer.— Ryan passa as mãos no cabelo, exasperado.

Ayla luta intensamente pra não deixar demonstrar o quanto tudo aquilo havia a afetado. Porque no fundo, ela sabia que o fim só poderia ser aquele; não tinha como esperar um final feliz quando ela havia entrado no meio de uma história inacabada. O resultado sempre seria aquele.

—Ryan, está tudo bem. Não é como se eu estivesse pensando que um dia contaria a história de como nos conhecemos e as faíscas voaram instantaneamente.— Ela comentou, meio rindo para disfarçar tamanha mágoa.

Ryan a encara, e ele percebe o dano que fez.

—Eu desejo que você encontre tudo que esteja procurando, Ayla. Ainda que não seja eu a entregar tudo isso.— Ele diz.

—Eu irei, Ryan. E eu te desejo o mesmo, na mesma intensidade.— Ela responde, mas se sente incapaz de permanecer mais algum segundo naquela sala.

Por isso, sem se despedir diretamente, ela apenas sai voando daquela casa até se encontrar fora daquela residência. Ayla sente que pode finalmente respirar assim que chega na rua e se senta em um jardim de uma casa ao lado.

Ali, ela não pôde evitar e por fim, se desarma em lágrimas. Sente a dor invadir o seu peito, o peso daquele dia cobrir cada traço do seu coração. Pensa em como finalmente achou que tinha acertado e no fim, o resultado havia sido o mesmo.

Ayla pensou consigo mesma: “estou perfeitamente bem, eu vivo sozinha.”— Porque no fundo, depois de tudo, ela sabia que estaria melhor sozinha. Por mais que a solidão fosse tudo que ela mais odiou a vida inteira, mas talvez aquilo fosse apenas seu destino.

Ela está tentando parar as lágrimas, quando o lugar ao seu lado é ocupado.

Juan senta-se ao seu lado naquela grama e juntos eles encaram a rua deserta, o céu escuro e sem estrela, no mais absoluto silêncio, exceto pelos soluços de Ayla.

—Você sabia que na cidade de Colónia, na Alemanha, existe uma estátua de uma pessoa que está constantemente esfregando o nariz?— Juan começa a falar de repente.

Ayla pisca os olhos confusa, tentando entender o que ele estava falando e o encara:

—O quê?— ela indaga.

—A estátua se chama ‘De Nasenbohrer’, o cavador de nariz quando se traduz e representa um homem que parece estar buscando algo no nariz de forma bem humorada.— Ele continua.

Isso de algum modo, faz Ayla sorrir.

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