Naquela madrugada, assim que Juan atravessou aquelas portas atrás de Ayla, Ryan teve um vislumbre. Algo em sua mente acendeu que deixa-la ir foi a coisa mais inteligente a se fazer, porque o destino dela seria outro e estava em sua frente o tempo todo.
—Quem era aquela?— Amanda pergunta assim que ficam a sós.
Aaron percebe o drama que está prestes a se instalar ali e decide ir pra outro cômodo.
—É a babá da Emma. Eu a conheci há duas semanas, e estávamos tendo algo.— Ryan explica o mais resumidamente e honesto possível.
Os olhos de Amanda vacilam por um instante, porque ouvir aquilo ainda doía.
—E você...— ela estava prestes a perguntar algo, quando Ryan a interrompeu, porque ele sabia exatamente o que falaria.
—Não.— Ele corta no mesmo instante. —Não a amo e acabei de dispensá-la.
Amanda tenta disfarçar a alegria iminente que cobriu o seu coração, mas seus olhos apenas brilhavam o suficiente.
—E por quê?— ela quer saber.
—Porque ela não é você. Ninguém é você. E olha que passei os últimos meses tentando encontrar.— Ryan sussurra.
—Ah, Ryan...— Amanda suspira e o abraça, sentindo o alivio de tê-lo em seus braços, depois de tantos dias presas em um inferno particular.
—Me diga, Amanda, tudo que aconteceu antes. Quero ouvir de você agora, a versão do Aaron, eu já sei.
Amanda assentiu e se afastou um pouco de Ryan, mas se manteve próxima o suficiente para poder segurar sua mão.
—Quando você me contou que estava doente, aquilo me destruiu. E sei que não é justo te falar isso, quando era você quem estava sentindo tudo, mas... Eu só pensava o que eu iria fazer se eu não tivesse você? Com quem falaria? Quem amaria? Eu sou egoísta a esse ponto.
Amanda sorri em meio as lágrimas que voltam a cair, mas Ryan apenas as enxuga porque ele entende perfeitamente o tipo de sentimento que a percorreu.
—E quando você me falou que não iria fazer nenhum tratamento... Ryan, eu enlouqueci.— O desespero ainda era visível nos olhos dela.
—Eu sei o que falei.— Ryan assume, ainda que se sinta culpado. —Eu só estava assustado e tinha a absoluta certeza de que não serviria de nada além de me aproximar do destino inevitável. Seria mais doloroso e não tinha como ter certeza que valeria de algo. Mas depois, eu arrisquei.— Ele acrescenta rapidamente.
—Sim, depois que você me deixou. Mas eu não tinha como saber disso.— Amanda continuou. —Por isso, depois que você me falou que só estava desistindo, eu soube que seria eu quem deveria lutar por você.
Ryan senta-se ereto naquele sofá, só para poder ouvi-la com atenção enquanto seu coração silenciosamente enche de gratidão por ela.
—Foi quando pesquisei e vi que estavam realizando um estudo experimental na Irlanda, e era especifico sobre o seu caso. E eu só soube que traria isso até você. Que você ficaria bem. Mas, você me conhece e...
—Você é incapaz de viajar sozinha.— Ryan completa sorrindo.
—E você não iria comigo, não é?— Amanda também sorri. —Foi quando lembrei do Aaron, e como ele é irlandês, ele saberia lidar com toda essa parte burocrática melhor que eu.
Ryan assente, ainda que a ideia de vê-la viajando com outro homem, mesmo que seu amigo, o deixe com um gosto amargo na boca.
—Só que quando chegamos lá, tudo saiu de fora do meu controle. Acredito que Aaron já te explicou, mas eu não podia acompanhar ou saber de nada desse estudo se não fosse paciente ou se não fosse família de algum paciente também. Tentei provar que eu era parente, tentei provar da sua doença, mas não acreditavam em mim, porque bem... Você estava aqui.
—Aaron me mostrou todos os documentos que você teve que assinar e os que levou pra lá também.— Ryan continua.
—Então você tem as provas e sabe que não estou mentindo.— Amanda fala aquilo sorrindo, mas a dor por trás de suas palavras é notável.
Ryan sente-se culpado, porque percebe que enquanto Amanda estava tentando salvá-lo até os seus joelhos sangrarem, ele sequer quisera a ouvir.
—Amanda, me desculpe por não... Eu só estava tão preso em mim, no meu orgulho e na minha certeza cega que eu não...
—Está tudo bem.— Amanda sorri e a aperta três vezes a mão dele. —Infelizmente, todo esse trabalho não serviu pra nada e eu não pude salva-lo.— A voz dela fica completamente embargada ao falar aquilo.
E diferente do que ela esperava, Ryan corresponde aquela reação sorrindo. O que deixa Amanda confusa.
—Não foi em vão, Amanda.— Ryan começa. —Foi exatamente por isso que Aaron me procurou esta noite. Entraram em contato com ele e me convidaram para participar do estudo.
Os lábios de Amanda se entreabrem no mesmo instante; o choque, a surpresa, a incredulidade, a felicidade explodindo dentro dela.
—Com o detalhe de 93% de casos de sucesso nesse estudo.— Aaron anuncia voltando pra sala.
Amanda segue olhando de um pra outro boquiaberta, uma sensação de alívio e paz que há longos meses não cobria o seu corpo a preencheu completamente.
—Você vai permanecer comigo!— ela explode em alegria e abraça Ryan, beijando cada pequeno pedaço do rosto dele. —Não te deixarei ir a lugar algum.

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