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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 22

Assim que Ayla sai daquela sala, ela sente o peso de toda pressão que estava ao seu redor. Tem dificuldade pra respirar, e sobretudo, parece ter dificuldade de deixar Juan ali. Mesmo que ele já tivesse deixado claro que não precisava de ajuda, e muito menos a dela.

—Senhorita, bom dia!— Ayla de repente foi abordada do lado de fora daquela sala.

—Sim, bom dia.— Ela responde, ainda que desconfiada e percebe que se tratava do mesmo detetive que havia parado o Juan mais cedo.

—A senhorita poderia me acompanhar por um instante?— ele sugere, mas Ayla conhece o suficiente de hierarquia pra saber que ela não tem opção além de segui-lo.

Eles entram numa sala, um pouco parecida com a que Juan estava. No entanto, havia outro detetive lá dentro e eles a encaravam como se ela fosse suspeita de algo.

—Por que estou aqui?— ela pergunta assim que se senta, quando sente o nervosismo correndo em sua veia.

—Só queremos fazer algumas perguntas.— O outro detetive é quem responde.

—Há quanto tempo, você trabalha para o senhor Barichello?— o detetive Vance pergunta diretamente.

E é quando Ayla percebe do que se tratava aquilo. Eles apenas estavam tentando descobrir qualquer coisa que pudesse prejudicar o Juan. Pelos seus olhos, Ayla percebeu que eles só estavam procurando alguém pra culpar. E ela só soube que não fariam isso com Juan.

—Trabalho há pouco mais de um mês. Não sou da cidade e me mudei pra capital nesse mesmo período de tempo.— Ela responde simplesmente.

O segundo detetive começa a escrever algo em um papel, enquanto fazem mais perguntas:

—E como conheceu o senhor Barichello?— ele volta a perguntar.

Ayla relembra de quando e como o conheceu e sobretudo, lembra da frase enigmática e até maquiavélica ao que ele se referiu a morte da esposa. No entanto, ela apenas sabe que precisa ocultar aquela parte ou passaria uma imagem totalmente equivocada.

—Estava buscando por emprego e encontrei a vaga de babá nos anunciados. Fui realizar a entrevista e consegui o emprego.— Foi a mais resumida e indiferente possível.

Os dois se entreolham, como se nenhuma resposta que Ayla os entregava fosse boa o suficiente.

—Como é sua relação com o seu chefe, senhorita? Ele frequentemente recebe visitas?— voltam a perguntar.

—Tenho a relação mais profissional possível, e só vejo o senhor Barichello indo pra o trabalho e voltando pra casa. Nada além disso.

—Sua relação é tão profissional que o fez o visitar na delegacia como se fossem íntimos?— Vance pergunta e é notável a desconfiança em sua voz.

Ayla se sente incomodada e senta-se ereta naquela cadeira, não deixando que eles pudessem ver o seu nervosismo.

—Como falei antes, eu trabalho para o senhor Barichello e precisei vir para saber se ele precisava de algo. Sobretudo, porque a filha dele ficou assustada pela maneira como você o abordou, vim apenas descobrir se ele iria demorar muito pra voltar pra menina.

O outro detetive segue escrevendo em um bloco de notas, o que fazia parecer tudo pior, como se Ayla estivesse relevando demais.

—Isso ainda iremos decidir.— Vance responde.

Ayla já estava em pé, prestes a ir embora, quando foi chamada mais uma vez:

—Uma última pergunta: o senhor Barichello e a sua ex esposa eram muito apaixonados. Você o vê ainda sentindo intensamente a falta de sua mulher?

Ayla engoliu em seco, porque aquela pergunta também era mais um dos seus questionamentos. A paixão que ele a tinha, o modo como a venerava. Isso não se apagava assim. E a dor de Juan era visivelmente notável, mas Ayla não saberia explicar a origem dela.

—Como falei antes, detetives, minha relação com o senhor Barichello é extremamente profissional e esse tipo de pergunta emocional e pessoal, eu jamais saberia responder.

—Tudo bem. Aqui está nosso cartão. Nos ligue se precisar ou se notar algo.— O detetive a entrega.

Felizmente, para o alivio de Ayla, ela foi dispensada e ela só quis fugir dali o mais rápido possível. Ainda sentia seu coração bater forte em seu peito e enquanto ela entrava no carro e saia avenida adentro, ela se perguntava se havia feito o certo.

Será que fez certo em agir tão cinicamente? Deveria falar de todas as coisas suspeitas que ela havia notado? Será que estava sendo cúmplice de algo? Todas essas perguntas estão girando em sua mente enquanto ela encara aquele cartão, a culpa a consumindo.

No entanto, no mais profundo de sua alma, ela confiava em Juan. E acreditava cegamente, que seja lá o que aquela história escondesse, ele não seria culpado de nada. No entanto, a lista de enganos de Ayla em relação ao que as pessoas eram de fato, era longa o bastante.

—Ayla.— O motorista dos Barichello chama a atenção dela assim que o carro para em frente à escola de Emma.

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