Juan começa a andar antes mesmo que Ayla possa reagir.
—O que está fazendo?— ela o interrompe, ficando em sua frente, querendo evitar um inevitável conflito.
Juan está cego demais em sua raiva, amargura e dor. E não existe nada que o impediria de agir naquele instante. Porque a verdade era que se ele tivesse reagido antes, nada que aconteceu até aquele momento, estaria se passando.
—Ayla, volta pra casa. Não preciso de você aqui.— Ele diz, abrindo a porta e seguindo em frente, sem olhar pra ela.
Ayla se encontra desesperada. Se arrepende de ter revelado aquilo, e sobretudo a preocupação e o medo a invade, porque ela não faz ideia do que está lidando. Sobretudo, porque aquele carro não se afasta, continua ali. Esperando enquanto Juan seguia em sua direção.
—Juan, por favor... — Ayla insiste, mas aquilo foi o suficiente para fazê-lo explodir.
—Eu te mandei ir embora. Agora!— ele grita, o que faz Ayla tremer sob seu tom.
Ele a deixa, e sem olhar para trás se aproxima do carro. Ayla sabe que deveria ter feito o que ele pediu e só ir embora, mas ela era incapaz disso. Parecia incapaz de deixar Juan sozinho, ainda que só o observasse de longe.
—O que diabos você está fazendo aqui?— Juan rosna assim que para em frente aquele carro e o vidro se abaixa.
Um homem de barba cheia e com uma tatuagem que subia do seu pescoço até o lado direito do seu rosto, o encarou e sorriu em sua direção.
—Olá, senhor Barichello. Sentiu minha falta?
Juan sente seu sangue esquentar, não imaginava ver aquele homem assim tão rápido, tão descarado e bem em frente à sua casa, exatamente como tantas vezes antes. Mas Juan só percebeu aquilo tarde demais.
—Vou te perguntar mais uma vez: o que você está fazendo aqui?— Juan parece grunhir e segura com força a porta daquele carro.
Aquele homem não parece se importar, muito pelo contrário, ele parece se divertir em meio a agonia de Juan. E em outras situações, Juan notaria aquilo e não o deixaria se afetar. No entanto, aquele homem, toda aquela história... Aquilo tudo despertava o pior dele.
—Só queria saber como andam as coisas, sabe?— aquele homem fala calmamente. —Ter certeza do que você ainda falando por aí ou não.
Juan o encara, se pergunta como aquela investigação afetaria aquele homem ou não. Obviamente, a razão de todo aquele conflito era clara demais para ele, ele sabia exatamente como aquele homem entrara na sua vida, mas não sabia o porquê permanecia. A não ser que...
—Foi você.— Juan sussurra de repente e encara profundamente aqueles olhos azuis sombrios. —Foi você quem matou a Alison.
No mesmo instante, aquele homem começa a gargalhar, como se Juan tivesse apenas dito a coisa mais engraçada e idiota do mundo. Juan deseja, não apenas uma vez, arrancar aquela risada do seu rosto.
—Você está realmente desesperado, não é?— Roni continua sorrindo, e precisa enxugar as lágrimas. —Quer tanto se livrar da acusação que quer jogá-la pra qualquer pessoa?
Juan semicerra os olhos e o encara, incapaz de acreditar em qualquer palavra que possa sair da sua boca.
—Você sabe exatamente o que não deve falar.— Aquele homem de repente muda sua expressão para mais séria possível em seu rosto. —Eu sei que você sabia de tudo, Juan. A Alison me contou. Felizmente, você sempre foi o covarde.— Ele começa a gargalhar outra vez.
E aquilo foi o suficiente para Juan simplesmente perder o pouco de controle que tinha em sua mente. Ele sentiu o ódio percorrer o seu peito, o mesmo sentimento mortal e cego que o dominou quando ele descobriu toda aquela cruel verdade, anos antes.
Sobretudo, ele sentiu aquele sentimento o consumindo ainda demais, porque no fundo, ele sabia que Roni tinha razão. Ele havia sido covarde antes. Ele foi covarde depois. E ele estava sendo covarde agora.
No entanto, havia uma única coisa, a única coisa mais preciosa que ainda havia restado na vida dele, que o enchia cegamente de coragem e que ele seria capaz de explodir o universo para proteger.

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