Ayla sente seu corpo entrar no mais perfeito estado de combustão. Seus lábios tremem sob os lábios de Juan, todo seu corpo se arrepia e ela se sente flutuando, mesmo com seus pés ainda no chão.
Existe uma miríade de sensações percorrendo o corpo dele ao dela naquele momento, e mesmo assim, ela não consegue descrever com perfeição nenhuma delas. Porque seja lá o que for aquilo, era diferente, maior de tudo que ela já tinha sentido.
No entanto, a sensação de vazio quase rasga o seu peito quando Juan se afasta. Sua respiração ainda está ofegante e ela ainda está de olhos fechados quando Juan volta a encará-la.
Os lábios dele ainda estão pinicando, desejando mais daquilo, dos seus lábios. No entanto, a parte ainda sã do seu cérebro fala mais alto e ele percebe o grande erro que cometera.
—Ayla, eu...— ele começa a falar de repente, a voz embargada.
—Sim.— Ela espera, ansiosa. Desejando ouvir qualquer coisa que saísse dos seus lábios.
Mas o que Juan entrega é um doloroso silêncio. Ele apenas se levanta e dizendo um boa noite baixo e sem vida, entra de volta pra mansão.
Ayla continua estática, sentada naquele jardim, observando o local por onde Juan entrara. Sente-se confusa, sobretudo pelo modo que o seu corpo ainda continuava tremendo mesmo após estar a metros de distância de Juan.
Naquela noite, nem Ayla ou Juan conseguiram fechar os olhos e dormir. A memória do que havia ocorrido os queimavam lentamente. E juntos, viram o sol nascer através de suas janelas.
—Bom dia, Ayla!— Emma exclamou assim que Ayla apareceu na sala de jantar na manhã seguinte.
—Bom dia, querida.— Ela responde com um sorriso no rosto.
No topo da mesa, Juan estava com o rosto preso em seu jornal e não direciona seu olhar pra Ayla. Ela engole em seco, não tem certeza se gosta daquela reação, porque era exatamente como o começo, quando os dois eram apenas estranhos.
—Vamos agora, Emma?— Ayla deixa seus pensamentos de lado e volta a falar com a garota. —Hoje você tem aulas de artes.
Emma sorri empolgada e rapidamente se levanta daquela cadeira.
—Irei pegar minha mochila.— Emma avisou.
—Eu pego, Emma.— Ayla disse rapidamente e começou a se mover, mas Emma se apressou em sua frente.
—Não precisa.— E então ela corre.
O silencio e o ar um tanto pesado e constrangedor cobre toda aquela sala de jantar quando Ayla se encontra a sós com Juan. O seu coração b**e tão acelerado que ela teme que Juan pudesse ouvir.
Ela tenta mascarar a mágoa presente em seu rosto ao perceber que Juan continuava a ignorando depois de tudo. Depois, principalmente, da última madrugada. Ela percebe então que a única saída é ignorá-lo também e começa a sair daquela sala.
E é quando ele finalmente fala:
—Se qualquer coisa acontecer, não hesite em me ligar.— Sua voz sai impassível e Ayla ainda está de costas, mas antes de virar, Juan completa —A segurança da Emma é a prioridade.
De algum modo, aquilo fez o peito de Ayla doer mais um pouco. Porque era óbvio que a segurança da Emma era prioridade, inclusive para ela mesmo também era. Mas perceber que Ayla não parecia ter nenhuma importância... Isso doía. Por isso, ela apenas preferiu se calar.
—Claro.— É tudo que ela diz e não fica mais nenhum segundo naquela sala.
Emma desce minutos depois e Ayla trata de ignorar qualquer emoção e foca em seu trabalho, o que deveria ter sido sempre assim.
Juan tenta fazer o mesmo, mas sua mente está alta. A culpa o consume, a insegurança, a covardia. Ele se pergunta porque simplesmente não falara como se sentia a Ayla, o porquê fugir, para ele, sempre seria a melhor opção. E Juan relembra então que da única vez que ele decidira abrir o seu coração, ele foi destroçado.
E ele está ciente que não precisa daquilo de novo. Não quer ter o coração destroçado, uma vez que ele, todavia, ainda não estava inteiro.
—Senhor Barichello.— A secretaria dele de repente abre a porta do seu escritório. —Sua reunião com o setor administrativo é em duas horas.
E como se fosse uma espécie de epifania, Juan de repente encara a sua secretária. Ele se pergunta o que teria tanto a perder se apenas se permitisse tentar. Fugir era mesmo a melhor opção, se esconder?
—Keith, cancele essa reunião.— Ele diz simplesmente. —E toda minha agenda do dia.
Sua secretária o encara um tanto confusa, mas apenas assente. E no mesmo instante, Juan se levanta. Ele não fazia ideia para onde iria, ou que iria fazer e porque fazer. Mas sabia que precisava reagir.
Já era final da tarde quando Juan parou o carro em frente a mansão. Quando entrou em sua residência, rapidamente deu de cara com Emma.
—Papai.— Ela chamou, correndo em sua direção. —O senhor já voltou?
—Sim, querida.— Ele fala enquanto acaricia seus cabelos. —Acho que o tempo de passar as noites na empresa acabou.
Emma sorri com alegria comemorando aquilo.
—Isso me deixa muito feliz, papai. Vem ficar comigo!— ela então puxa seu pai para onde estava.

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