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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 30

Ayla estava em um caminho cego, obscuro e incerto. Ela não podia ver onde estava, do mesmo modo que não podia prever se conseguiria sair daquela situação viva ou não.

Ela sentia os fortes movimentos do carro, como se estivesse indo em direção a uma estrada esburacada, mas nada além disso.

—O que vocês querem de mim?— ela pergunta, depois de alguns minutos de silêncio que sucederam seus gritos insanos.

Ayla tentava se soltar da corda amarrada em suas mãos, tentava se remexer pra tentar tirar aquele saco em sua cabeça, mas era em vão. Naquele ponto da vida dela, Ayla percebeu que tudo seria em vão.

—Nós não queremos nada de você.— Um homem responde muito próximo do rosto dela e Ayla sente o calor dele quando ele parece sentar-se ao seu lado. —Você é apenas uma isca para um peixe muito maior.

—Um efeito colateral. Digamos assim.— outra voz masculina interviu.

—Vocês não irão conseguir nada comigo.— Ayla insiste em falar. —Eu não significo nada para ele, estão apenas perdendo tempo.

No mesmo instante em que Ayla terminar de falar, pode-se ouvir um barulho de telefone tocando.

—Será?— o primeiro homem volta a falar e em questão de segundos, ele tira rapidamente aquele saco da cabeça de Ayla.

E é muito rápido o momento em que ele apenas coloca o seu telefone no seu campo de visão, e Ayla então vê aquela chamada.

—Juan.— Ela sussurra ao ver aquela ligação, e tão rápido quanto antes, aquele saco cobriu toda sua visão de novo.

Ayla pensa em chorar, gritar, e até deseja nunca ter aparecido naquela história toda. Se pergunta porque sempre em que tinha poucas horas de paz em sua vida, os dias seguintes eram apenas as mais intensas e turbulentas tempestades.

—Por favor...— ela geme consigo mesma, já cansada de lutar em uma batalha já perdida.

No entanto, Ayla fica rapidamente em silêncio ao perceber que aquele homem havia atendido aquela ligação.

—Ora, ora, se não é o grande senhor Barichello.— Aquele homem começa a falar.

Ayla aguarda, espera ouvir a voz de Juan, mas é obvio que não estava em alto falante e tudo e a única versão que se podia ouvir, era daquele homem.

—Não é assim que se negocia, Juan.— Ele rebate. —Até parece que você não sabe como funciona. Esqueceu que tudo isso aqui começou com você?

Há um silencio no carro, Ayla tenta compreender toda aquela conversa nas entrelinhas, mas termina ainda mais confusa.

—Isso você só pode tratar comigo pessoalmente.— Ele volta a falar. —Ah, você sabe onde me encontrar.— Ayla ouve quando aquele homem dá uma risada tão enigmática que sente todos os pelos do seu corpo se arrepiarem. —Estaremos exatamente onde tudo começou.

E ao dizer isso, Ayla sente quando o carro para e aquele homem desliga a ligação e ela é arrastada pra fora do carro. Ainda não consegue ver nada ao seu redor, e a única coisa que habita o seu corpo naquele instante, era o medo. O profundo, o intenso.

Ayla sente mãos calejadas ao redor dos seus braços, enquanto é arrastada para o meio do nada. Ela não fazia ideia de onde estava, não podia ouvir nada, nem sentir cheiro ou qualquer barulho que a desse a mínima ideia de onde poderia estar.

Tudo que ela podia ouvir eram mais passos além dos dela e do homem que a puxava. Ouvia-os pisando forte no chão e em seguida, o barulho de alguma porta de galpão sendo puxada.

—Pegue uma cadeira. E a amarre ali.— Uma voz grave que não era em nada familiar chegou aos seus ouvidos.

—O quê?— ela grita. —Vocês não podem me amarrar aqui.

—Sim, podemos.— O homem do seu lado resmungou, os braços a impulsionando para frente.

E ainda com aquele tecido cobrindo os seus olhos, Ayla sente dedos ágeis soltando suas mãos daquela corda, e puxando os seus braços para trás do seu corpo, a obrigando a sentar em uma cadeira de madeira que rangeu com o seu peso.

Ela resiste como era o esperado, puxa o seu braço, xinga, mas ela não era tão forte assim. E nem podia ser.

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