— Alô, você está aí? — a voz dele volta, firme.
Ainda ajoelhada na calçada, respondo rápido:
— Sim! Sim, estou. E aceito. — disparei, sem respirar, como se ele pudesse mudar de ideia a qualquer segundo.
— Certo. Venha amanhã, às... — começa, mas interrompo sem pensar.
— Posso começar agora. — Me adianto. — Assim você economiza tempo me explicando tudo hoje. Imagino que seja um homem ocupado.
Mordo o lábio. O desespero transbordando na voz. Eu sabia. Sabia que parecia desesperada...
Porque estava. A verdade? Não tinha onde dormir. Aquele emprego era meu único plano. Morar ali já resolveria metade do meu problema ou, no momento, o problema: não ter um teto.
O silêncio dele me faz gelar. E se ele mudasse de ideia? Só volto a respirar quando escuto, seco:
— Ok. — E desliga.
Fico olhando pro celular, atônita. Foi fácil... até demais. Mas não ia reclamar.
Recolho minhas coisas molhadas da calçada e pego um táxi, usando os últimos trocados.
De novo, parada diante daquela mansão, suspiro. Última ficha jogada.
— Deixe-me ajudá-la. — o mesmo mordomo aparece e pega minhas malas. — Levarei para seu quarto. O senhor Barrichello a espera. — E some.
Meu corpo inteiro vibra de nervoso enquanto caminho até a porta. A sala, enorme e impecável, parece ainda mais intimidadora agora.
Ele surge no corredor. Alto. Imponente. Rosto impassível. Olhar frio, cravado em mim. Não diz
nada, apenas se vira e entra no escritório.
Entendo aquilo como “entre”. E obedeço. Fecho a porta, tentando fingir que não estou prestes a ter um colapso.
— Então... estou pronta. Diga tudo que preciso saber. — forço um sorriso, me esforçando pra parecer no controle.
Ele me olha de cima a baixo, depois aponta com os olhos pro sofá. Sento.
O escritório é exatamente como ele: sóbrio, rígido, impecável... e frio.
— Antes de tudo, senhorita Green... — sua voz preenche o ambiente, firme, intransigente —
preciso deixar algo claro: minha filha é meu bem mais precioso. Não admito erros. Nenhum.
Engulo seco.
— Compreendo, senhor Barrichello. Sua filha estará em boas mãos.
Ele não reage.
— Espero que sim. — E começa. — Primeira regra: rotina. Ela tem horários. Não admito atrasos, nem mudanças. Segunda: qualquer problema de saúde, mínimo que seja, me avisa imediatamente. Entendido?


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