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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 35

Ninguém poderia descrever o tamanho do peso que amarrava o coração de Juan naquele instante. Mas também ninguém poderia descrever o alivio que também começou a se infiltrar nele, quando olhou em frente e viu Ayla ali, o querendo ouvir com atenção e empatia.

—Alison foi o grande amor da minha vida e eu achava que também era o dela.— Juan começou. —Nós crescemos juntos, tivemos todas as primeiras vezes da nossa vida juntos.

—E o que mudou?— Ayla pergunta, sentindo seu coração se acelerar com a antecipação.

—O dinheiro.— Juan diz simplesmente, deixando Ayla ainda mais confusa. —Jamais acredite quando te disserem que o dinheiro não muda as pessoas, porque é uma grande besteira. Quando a ideia de poder sobe à cabeça...

Juan não finalizou sua frase, mas aquilo deixara Ayla ainda mais intrigada.

—Eu não entendo.— Ela falou, por fim. —Vocês dois cresceram juntos e com a mesma situação financeira. Até que, também juntos, conseguiram muito dinheiro. Como isso poderia ter sido um problema?

Juan sorriu e em seguida, desceu mais um gole de uísque por seus lábios.

—Pra mim, jamais fora. Por isso que quando ganhei na loteria, só pensava que agora a daria a vida que ela sempre quisera.— Ele diz simplesmente. —Mas pra Alison, era um problema. Ela desejou mais, queria mais.

Ayla pisca os olhos rapidamente, ainda alheia ao que Juan estava realmente de fato, tentando revelar.

—Ela não conseguia compreender que tudo que era meu, também era dela. Que éramos um só.

Naquele instante, a compreensão lentamente começa a invadir o consciente de Ayla e ela apenas reza para o que sua imaginação estivesse revelando, não fosse a verdade. Que fosse apenas um devaneio, porque a verdade era que aquilo era cruel demais.

—Então ela entendeu que eu seria o problema, e para que realmente tudo fosse exclusivamente só dela: ela decidiu que eu deveria morrer.

—O quê?— Ayla solta um suspiro, quase parecido com um grito ou como uma súplica. —Como isso é possível?

Ayla estava no meio de um choque, de uma dor tão imensa que nem assim poderia ser comparada aquela que Juan sentiu quando se deu conta de que a pessoa que ele mais amava na vida, decidiu que o mundo seria um lugar melhor sem ele.

—Não consigo e jamais conseguirei entender as razões dela.— Juan continua olhando diretamente para frente. —Apenas lembro que ela organizou o meu sequestro, e esquematizou tudo para que eu não descobrisse a verdade e apenas morresse.

—E como você descobriu?

—Roni.— Juan diz simplesmente. —Ele era o meu melhor amigo na época e eu reconheceria a voz dele em qualquer lugar. E foi quando o ouvi naquele galpão, o mesmo em que você estava. Ele parecia negociar pela minha vida com a Alison, enquanto passava as informações para os capangas dele.

Ayla sentia um gosto amargo em sua própria bile, não poderia jamais imaginar que a história que Juan ocultava era tão dolorida, cruel e desumana aquele ponto.

—Como você se salvou, Juan?— Ayla pergunta, ainda que grata por ele ter conseguido esse feito, mas ainda totalmente descrente.

—Negociei com o diabo.— Juan fala sorrindo, dessa vez, secando sua garrafa de bebida. —Como falei, o dinheiro move tudo. E eu convenci o Roni a me soltar, prometendo o entregar uma grande quantia todos os meses.

—E ele acreditou em você?

—Ele preferiu acreditar em mim do que confiar na esposa que manda matar o próprio parceiro de quinze anos.

Ayla engoliu em seco, porque ainda que aquela sentença fosse cruel demais, realmente fazia sentido.

—E você manteve sua parte do acordo?— Ayla pergunta.

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