Capítulo 47
Juan encarava Jeff fixamente, seus olhos brilhavam com a mais pura chama de revolta, ciúme e outro sentimento que ele não saberia nomear naquele momento. Ele só sabia que não era nada bom. Um turbilhão de emoções incontroláveis rugia dentro dele, como um mar agitado em uma tempestade sem fim.
—Perdão, nós nos conhecemos?— Jeff perguntou, sua voz soando calma e polida, mas Juan podia detectar um leve traço de confusão em seu tom.
As mãos de Jeff finalmente se afastaram do corpo de Ayla nesse momento, e só então Juan aliviou os punhos que estavam brutalmente cerrados, sentindo o latejar da tensão em suas veias.
Jeff encarou Juan, curioso. A sobrancelha arqueada, uma batalha prestes a ser travada entre eles. Juan não cedeu nem sequer um passo para trás, mantendo-se firme e também o encarando, desafiador.
—Não. E tenho certeza de que também não gostaria,— respondeu Juan, sua voz carregada de uma intensidade que quase soava como um rosnado, sua postura rígida como a de um guerreiro pronto para o combate.
Diante daquela guerra entre aqueles dois homens, Ayla se encontrava completamente paralisada. Seus pensamentos não possuíam uma ordem certa e estão todos emaranhados. Ela precisou piscar os olhos uma, duas, cem vezes para ter certeza do que via em sua frente.
Por um momento, Ayla quis culpar o álcool em sua veia, a dor em seu coração. E julgou estar alucinando, delirando com o objeto de toda sua idealização dos últimos dias.
—Ayla, você conhece esse cara?— Jeff perguntou em seguida, chamando a atenção dela.
Ayla se liberta do seu transe e pisca seus olhos rapidamente. Ela engole em seco, as palavras ainda não parecem encontrar um destino em seus lábios, e ela apenas desvia os seus olhos e encara Juan.
‘Eu conheço esse cara?’ Ayla refaz aquela pergunta enquanto observa o rosto de Juan.
Ele a encara de volta e bem ali, o seu coração volta a bater aceleradamente. Sua respiração acelera enquanto observa os traços perfeitos do rosto de Juan. Ela sentia como se tivesse passado uma eternidade desde que vira aquele rosto outra vez.
Ayla percebeu a expressão cansada nos olhos de Juan, de algum modo, ela se viu ali, outra vez. Porque também enxergou a sua dor ali.
Com aquela revelação, Ayla engole em seco diante daqueles olhos negros outra vez, porque de algum modo, ela sentiu como estivesse reencontrando consigo mesma. Outra vez.
—É ele, não é?— Ela ouve a voz de Jeff atrás dela, mas ainda não consegue responder.
Juan ouve aquilo e acaba arqueando a sobrancelha. Se pergunta como aquele cara fazia ideia de sua existência, e principalmente, se perguntou porque Ayla estava compartilhando tempo, ou qualquer intimidade da sua vida, com aquele cara.
E principalmente se perguntou o que Ayla falara dele, se perguntou quem era esse “ele” na vida dela e também temeu que não houvesse mais espaço para ele ali.
—Eu...— Ayla começou, sua voz baixa e trêmula enquanto pigarreava várias vezes, lutando para formar qualquer frase coerente. —Eu preciso ir embora.
Ela agiu no piloto automático, abrindo sua bolsa e jogando o dinheiro de todas (e foram muitas) as bebidas que tinha consumido. Estava prestes a dar meia volta e fugir daquele bar, daquelas pessoas, de tudo ao redor, o mais rápido possível.
No entanto, antes que pudesse se mover, sentiu os braços de Jeff em torno de sua cintura, ele se posicionando ao seu lado de forma quase possessiva, como se tentasse segurá-la ali contra sua vontade. Aquilo acendeu um pavio de uma explosão iminente dentro dela.
—Preciso ir embora. Sozinha,— ela disse, sua voz séria e firme, encarando as mãos dele em sua cintura, transmitindo um pedido discreto para que ele se afastasse.
Jeff ficou surpreso com o tom um tanto rude de Ayla e não teve tempo para reagir antes que Juan voltasse a falar.

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