O tempo pareceu parar, a atmosfera ficou mais baixa e o vento frio do meio de uma noite pareceu congela-los naquela rua, naquele momento.
Ayla tinha certeza de que se ela chegasse só um pouco mais perto, seria capaz de ouvir as batidas do coração de Juan. Juan conseguia ouvir e refletir a respiração ofegante de Ayla, os olhos ainda presos nos dela.
E aquele último dialogo, um dialogo que não dissera nada, e de alguma maneira, dissera tudo ainda rodando em todo aquele lugar. Ecoando entre eles.
—O que isso quer dizer agora?— Ayla perguntou, por fim.
Sua voz estava trêmula, como se ela temesse a resposta de Juan, como se temesse tudo que estava ou não por vir.
Juan engoliu em seco, e com isso, ele foi forte o suficiente para engolir todas suas inseguranças, seus medos e deixar, pelo menos uma única vez, toda sua coragem e força se expandir dele.
—Eu nunca desejei que nós tivéssemos perdido a batalha e acabar por escolher a distância.— Juan murmura, cada palavra sua coberta de sinceridade e dos sentimentos mais profundos dos quais ele tentara maquiar todo aquele tempo.
Ayla o encara, seu coração voltando acelerar. Seu peito se aperta, porque ela se sentia exatamente igual a ele. Porque a verdade era que ela jamais desejou se render aquela batalha, ela queria lutar, queria insistir. Mas ela sentia-se sozinha no meio de toda aquela história emaranhada e não soube como continuar falando.
Ayla percebe que aquele era o momento em que deveria deixar todos seus pensamentos secretos de lado e revela-los a Juan. Sua última tentativa, sua última chance.
—Eu só sentia que não podia lutar nenhuma batalha sozinha. E eu me rendi— ela começa, sua voz sai um tanto baixa e envergonhada. —Porque a verdade, é que nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesmo. Eu sou impulsiva e só faço a primeira coisa que vem a minha mente. Esse é um defeito da minha lista longa.
Ayla começa a sorrir, nervosa, mas não tem humor algum em sua expressão ou risada. E é por isso que tudo isso é interrompido, quando Juan resolve falar outra vez.
—Essa é a coisa que mais me chamou atenção e me prendeu a você.— Ele diz, um sorriso no rosto.
—O quê?— Ayla pergunta, confusa e curiosa.
—Sua impulsividade.— Ele responde, por fim. —Desde o dia em que você brigou com um desconhecido por causa de um táxi.
—Você lembra?— a voz de Ayla está tão baixa, que só conseguiu ser ouvida porque aquela rua estava completamente deserta e silenciosa.
O coração de Ayla acelerado é a única coisa, além de suas vozes, que pode ser ouvido naquele momento. Seus olhos brilham como as luzes de milhares estrelas, enquanto em sua mente ela recorda aquele primeiro encontro. O caos e como aquilo a fez sentir-se viva.
—Como achou que eu poderia esquecer?— Juan pergunta, arqueando a sobrancelha.
De uma maneira nem um pouco madura, e completamente dramática, Ayla leva suas mãos até a cintura e então encara Juan; a expressão petulante e o biquinho em seus lábios de teimosia.
—Talvez pelo fato de que quando perguntei se você lembrava de mim, e você ter respondido que nunca me viu na vida!— Ayla exclamou, indignada.
—Você ainda lembra disso?!— Juan perguntou, um tanto surpreso, mas havia diversão em seu tom e olhar.
Ayla apenas revira os olhos e então cruza os braços, ainda o encarando. Juan então, para de sorrir e a olha profundamente em seus olhos quando diz:
—Não consigo me imaginar esquecendo de você em nenhum universo.— Sussurra. —Honestamente, naquele dia infernal, aquele encontro com você naquele taxi, foi a única coisa que me fez aguentar. E te ver de volta no meu escritório, dois dias depois... Senti o mesmo alivio de antes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Viúvo e a Babá