Capítulo 50
—Poupei tempo.— Juan diz simplesmente. —Se eu passasse mais um minuto com aquela mulher, eu iria enlouquecer.
Ayla dá um risinho, porque ela entende aquilo perfeitamente.
—Espero que você saiba que amanhã a cidade estará cheia que eu dividi o quarto com um ‘bonitão da cidade grande’—. Ayla se refere a como Martha chamou Juan e ele faz uma careta.
—Você se incomoda?— Juan perguntou de repente, assim que eles param em frente ao quarto em que Ayla estavam. —Porque eu posso ir embora. Eu aluguei um carro e posso ir pra alguma cidade vizinha.
Antes que Juan pudesse continuar com aquela sugestão absurda, Ayla levou suas mãos até o peito dele e em seguida até os seus lábios, o silenciando.
—Você pode ficar aqui. Você poder passar a noite no meu quarto.— Ela diz, a voz mais baixa. —Isso se você não se incomodar com o fato de que ainda estou um pouco bêbada.
Ayla sorriu enquanto abria a porta e Juan a acompanhou. O quarto era pequeno e não contava com muitos moveis além de uma cama de casal, uma cômoda e uma poltrona. As paredes eram amadeiradas e marcadas pelo tempo.
Mas de algum modo, aquele lugar parecia extremamente confortável.
—Aliás, quem era aquele?— Juan pergunta, como se nada. Seu tom de voz revela como aquela pergunta parecia incomoda para ele.
Ayla o encara confusa, enquanto tira sua jaqueta.
—Quem? O Jeff?
Juan apenas assente.
—Você parecia estar feliz e eu só fico curioso pra saber quem estava te fazendo sorrir daquele jeito.
Essa é a vez de Ayla sorrir, de verdade.
—Jeff foi meu namorado de infância e adolescência.— Ayla começa. —E eu estava sorrindo pela quantidade de álcool no meu sangue, porque as coisas que estava falando, não eram nem um pouco alegres. Mas ei, você estava me observando antes?— Ayla pergunta, surpresa.
—Estava.— Ele diz simplesmente, o tom curto e possessivo. —O que estavam falando?
Ayla engole em seco e então encara Juan.
—Você.— Ela diz simplesmente.
Juan sente seu coração acelerar e arrisca dar um passo em frente.
—Eu só comecei a falar o que estava em meu peito o tempo todo.— Ela continua. —Eu perdi as contas de quantas vezes tive que ser forte e só mentir para mim que tudo estava bem. Até entender que, as vezes, mesmo que a gente diga algo pra gente repetidas vezes, o nosso coração é tolo. Porque no final, simplesmente é ele quem decide.
—E o que o seu coração decidiu, Ayla?— Juan pergunta de repente, ansiando ouvir aquelas palavras.
—O que o seu coração decidiu, Juan?— Ayla refaz aquela pergunta.
E sem levar mais nenhum segundo desperdiçado, Juan sussurra, tão rápido e sutil como a batida do seu coração.
—Você.— Ele sussurra.
—Você.— Ayla sussurra de volta.
E naquele momento, a neblina do frio de uma madrugada atravessou as janelas abertas e os abraçou em um clima tão apaziguador que pareceu silenciar todos os temores de ambos corações.
O que ocasionou em ambos lábios se colidirem outra vez. E enquanto os lábios dos dois se encontravam e matavam o anseio e a saudade de tanto tempo longe, Ayla e Juan sentia como se estivessem voltando a vida.
—Todo dia, eu desejei repetir isso. Esses seus beijos que me faziam tanta falta.— Juan sussurra ainda sobre os lábios de Ayla, a respiração ofegante.

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