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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 55

Ayla se perguntava se havia sido amaldiçoada, se pergunta por que estava sendo punida daquele jeito, sofrendo como tantas outras vezes. Mas dessa vez, parecia estupidamente maior o desespero presente em seu coração.

Ayla reconhece que se fosse uma mulher mais fraca, depois de tudo que aconteceu com ela, ela já teria perdido a esperança. Mas uma mulher forte não estaria aos pedaços como ela estava agora, não fugiria.

E foi exatamente isso que aconteceu; Ayla deixou todos para trás e saiu correndo daquele hospital.

Ela não conhecia absolutamente nada naquela cidade, então só correu, embaixo da chuva, para qualquer lugar onde pudesse ficar sozinha e enxergar o que aconteceu e gritar. Gritar de verdade.

—Por quê?— seu grito reverbera, quando ela se senta, debaixo de uma árvore e ali, chora, se desintegrando em várias peças.

Ayla estava enfrentando o seu dia mais escuro, a vida mais escura. Se sentia fraca, irregular, como se não existisse no mundo, nenhum lugar para ela ficar.

Ayla não saberia explicar quando tempo passara ali, lembrando de cada momento de sua infância. Lembrando da sua vida de mentira, da dor que sempre a acompanhara.

—Por isso eles sempre me odiaram.— Ela soluça, e tenta secar as lágrimas que continuam a descer copiosamente. —Porque eu nunca fui um deles.

Ayla percebeu então que a história da sua vida parecia ter poeira em cada página. Uma incógnita. Tudo aquilo, todo aquele dia, havia acabado com ela e pode apostar que ela sentiu aquilo profundamente. Mas agora, ela precisava se recompor.

Ayla precisava juntar seus cacos e refazer sua história, ou melhor, descobrir sua história.

Por isso, ela se levanta daquela grama e como se fosse por ajuda divina, um táxi passa exatamente no mesmo momento. Ela acena, pedindo que parasse e o motorista atende.

Antes de Ayla entrar naquele carro, ela pergunta:

—Por favor, você poderia me levar até Hillstone?— Ayla pergunta. —Sei que pode sair um pouco do seu trajeto, mas preciso realmente ir lá.

O motorista encarou Ayla de cima a baixo. Começando pelo fato do seu cabelo está desengrenado e todo colado na testa, aos olhos vermelhos e a maquiagem borrada e o fato de ela estar completamente molhada.

Toda aquela cena, causou um pouco de empatia ou pena naquele motorista.

—Tudo bem. Mas vai sair um pouco caro.— Ele diz. Talvez sem tanta empatia assim.

—Não tem problema.— Ayla fala com convicção e então entra no carro.

Ela se dá conta de que estava dentro de um taxi de uma cidade desconhecida, com um motorista também desconhecido e estranho que não tira os olhos dos dela através do espelho do carro.

Em outra situação, Ayla jamais faria isso. Jamais entraria em um carro de alguém que ela desconfiasse um pouco de sua índole, mas naquele momento, nada mais parecia importar.

Ayla só queria chegar outra vez na sua cidade e tirar toda aquela história a limpo. Não sabia como, mas certamente, existia algo na casa dos seus pais que pudessem dar um norte a ela, sobre de onde ela veio, quem ela era. E ela procuraria; de tudo.

—Chegamos.— Ela escuta a voz do motorista informar cerca de trinta minutos depois.

Como dito antes, o motorista havia cobrado caro por aquela viagem, mas não tinha importância.

—Obrigada.— É tudo que Ayla diz quando ela coloca o pé para fora do carro.

A chuva havia cessado por enquanto, o que fizera com que os moradores daquela cidade que estavam presos dentro de casa, saíssem. Ayla nota como os rostos de todos ali eram tão vazios e frios. E ela relembra como sempre enxergou aquela cidade como um casulo. Uma terra inútil cheia de gaiolas, cheia de presas.

A única vez que Ayla se sentira realmente em paz, em casa, naquele lugar, foi quando Juan estava nela.

—Juan...— ela sussurra consigo mesmo, ao se libertar do transe que sua dor se meteu e recordar dele.

Da pessoa que deixara tudo para trás para segui-la, e ela foi a pessoa que o deixou para trás.

Ayla se amaldiçoa, se odeia pelo modo de como se deixou levar. Havia esquecido de que, pela primeira vez, ela tinha algo a perder. Ayla recorda de como foi embora e tudo que deseja naquele momento é voltar para Juan.

Mas antes, ela sabe que precisa exorcizar todos os seus demônios, esses que estavam por todos os lados agora.

—Menina Ayla.— Ayla escuta a voz de Martha a chamando.

Ayla ao olhar ao redor e vê a proprietária da pousada em frente ao edifício, Ayla caminha na direção dela. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ayla prontamente se defende:

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