Eles seguem até a recepção do hospital e Ayla fala:
—Por favor, preciso saber sobre Deise Green. Ela deu entrada aqui, mais cedo.
A recepcionista assente e após olhar para tela do computador, informa:
—Décimo segundo andar. Sala 13.
E tão rápido quanto chegou ali, Juan e Ayla seguem até o elevador até pararem no andar certo.
Assim que as portas do elevador se abrem, Ayla dá de cara com sua família na sala de espera. Sua irmã e o marido dela estão lá, assim como seu pai. Todos param para a encarar, como se ela fosse uma esquisita invadindo o espaço deles.
—O que está fazendo aqui?— Cynthia para rapidamente em frente a Ayla. —A mamãe piorou por sua causa.
Ayla realmente não queria brigar mais, realmente não queria fingir mais.
—Cyn, aqui não.— Logan, seu marido, tenta acalmá-la ao seu lado.
Ele olha para Ayla e Juan como se desculpasse pela falta de controle de sua esposa.
—Eu não vou ficar no mesmo lugar que ela!— Cynthia conclui e no mesmo instante sai, indo para o lado mais distante do corredor.
Ayla olha para o seu pai, e em silêncio, ele faz o mesmo caminho, e ali quebra o seu coração mil vezes mais e ela sequer achava que isso poderia ser possível.
—Ela está sendo examinada agora. Ainda não sabemos de nada.— Logan é o único com a decência o suficiente para tratar Ayla com um ser humano.
Ayla, ainda completamente atordoada, apenas assente em agradecimento e Logan se retira, se juntando a sua mulher e sogro.
Juan sente, a cada segundo, um sabor amargo em sua boca e ele se pergunta a razão de tanta crueldade com Ayla.
Ela parece envergonhada demais para falar com ele ou falar qualquer coisa e Juan sabe disso, por isso, apenas indica um sofá branco atrás dela e pede que se sente. Ela o faz e ele a acompanha.
Aquele local parecia completamente pacífico e quieto, ao contrário de tudo que estava acontecendo dentro deles.
—Este não era o modo que eu pensei como seria o nosso dia.— Ayla comenta de repente, a voz baixa.
Juan se vira para a encarar e a segura pelo queixo, pedindo que ela deixe seus lindos olhos nos dele.
—Ayla, eu irei caminhar nessa estrada com você. Você já caminhou comigo em todo meu caminho turbulento, agora é a minha vez.— Juan sussurra para ela, coberto de honestidade.
Ayla se sente completamente grata por ele estar ali, ela sente como se ele estivesse a ajudando respirar.
—Por agora, eu acho que só preciso de você.— Ela diz, por fim. A verdade era que quando Ayla estava com ele, ela se sentia um pouco mais forte. Porque todos os seus pedaços quebrados, ele havia recolhido. —Quando estou sem você, me sinto mais insegura. Você, de alguma maneira, me enche de coragem e de forças pra lutar.
O coração de Juan bateu fortemente ao estar perto de Ayla assim, porque de algum modo, isto o ajudava a se sentir um homem melhor. E ele só queria que ela também se sentisse melhor.
—Ayla, qual o problema com sua família?— Juan pergunta por fim, porque sabe que falar, colocar tudo para fora, era exatamente do que ela precisava.
Ayla respirou fundo. Ela realmente precisava de uma trégua, estava abalada e estava machucada.
—Honestamente? Eu não sei.— Ayla sorri, sem humor algum e disfarça uma lágrima que cai dos seus olhos. —Desde muito cedo, eles sempre tiveram uma maneira mais rude e muitas vezes, má, de me tratarem. Com as minhas irmãs não eram assim, só comigo. Achei que o problema fosse só comigo, sabe? E eu acabei apenas aceitando.
Ayla sentia, desde sempre, algo pesando em seu coração, queimando seu peito. Era muito difícil de lidar com tudo aquilo, num seu mundo que já era uma bagunça.
—Mas tudo piorou agora. Com minha volta. Acho que eles apenas me deram uma mensagem clara e também me ensinou algumas lições difíceis. Preciso apenas lidar com isso. E se eu fosse outra pessoa, nem deveria estar aqui. E às vezes, eu desejo deixar todos para trás, assim como sempre fizeram comigo. É errado sentir isso?
—O que quer que você sinta, nunca pode ser errado.— Juan disse, segurando a mão de Ayla com força.
Ele vê que ela está sofrendo, destruída. E desejou, mais que nunca, pode arrancar toda a dor que ela estava sentindo e depositar nele mesmo.

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