O sol estava começando a se pôr. E aquilo mais parecia o paraíso, após o mundo todo implodir.
Juan e Ayla ainda estavam de mãos dadas, observando a distância um campo de trigo, com suas hastes douradas balançando suavemente na brisa do fim da tarde. O céu estava pintado com tons de rosa e laranja conforme o sol descia abaixo do horizonte, lançando longas sombras sobre a paisagem.
Ayla encostou a cabeça no ombro de Juan, sentindo o calor de sua presença ao lado dela.
—É tão bonito— sussurrou ela, sua voz mal audível acima do sussurro das folhas.
Juan envolveu o braço em torno da cintura dela, puxando-a para perto.
—Não tão bonito quanto você— ele respondeu, seu olhar fixo em seu rosto. —Eu poderia assistir a este pôr do sol mil vezes, e nunca se compararia à visão de você.
Ayla corou, suas bochechas tingidas com a luz que desaparecia.
—Ainda não sei lidar com sua gentileza— murmurou ela, virando-se para encontrar seu olhar.
Eles ficaram em silêncio por um momento, simplesmente aproveitando a companhia um do outro e a vista deslumbrante diante deles. O ar estava cheio com o doce aroma das flores silvestres, e o som distante do canto dos pássaros ecoava pelos campos.
Quando os últimos traços da luz do dia desapareceram do céu, Juan se virou para Ayla com um sorriso.
—Sou grato por momentos como este — ele disse suavemente. —Apenas estar aqui com você, é suficiente para me fazer sentir em paz. E faz muito tempo que eu não me sentia assim.
Ayla sorriu de volta, seus olhos brilhando com afeto.
—Sinto o mesmo— ela respondeu, sua voz cheia de calor. —Com você ao meu lado, sinto que posso enfrentar o mundo.
Porque de toda forma, ela sentia que havia sobrevivido. Percebeu tudo isso quando deixou de ser perdida após se encontrar em seus olhos. Antes ela se sentia esgotada, incompleta, triste e deprimida, e sendo enganada a cada segundo. Mas daí, Juan chegou e ela se sentiu novinha em folha.
O seu medo estava desaparecendo rapidamente, confiando nele cegamente.
Se sentia fortalecida, corajosa.
Eles ficaram ali um pouco mais tempo, perdidos na companhia um do outro enquanto as estrelas começavam a cintilar no céu.
Naquele momento, cercados pela beleza da natureza, Juan e Ayla sabiam que estavam exatamente onde deveriam estar. Eles eram uma página nova na mesa, preenchendo os espaços à medida que caminhavam juntos. Todos os dias.
O ar de outono os abraçando.
A atenção de Ayla e Juan foi tomada quando Andrea voltou da fazenda. O barulho do cavalgar em seu cavalo anunciou sua presença.
Ayla e Juan se levantaram do banco que estavam sentados.
—Voltei, crianças.— Ela diz. —Espero que estejam com fome. Vamos todos jantar juntos.
E sem esperar nenhum segundo pela resposta dos dois, Andrea segue até o celeiro onde deixa o cavalo. Ao sair e chegando na porta de casa, grita:
—Venham! Vai ser divertido.
Ayla e Juan se entreolham sorrindo, mas assente e então eles a segue.
Assim que chegam na cozinha um aroma de pão recém-assado preenchem o ar.
—Deu certo! Achei que tivesse queimado.— Andrea diz, abrindo o forno. —Todo fim de tarde, eu preparo um pãozinho, enquanto espero o jantar ficar pronto. Vocês querem? — Ela pergunta, empolgada, indicando os pães frescos em direção a eles.
Eles aceitam e logo os suspiros de satisfação deixam Andrea ainda mais empolgada.
—Perfeito. O jantar em breve ficará pronto!— ela anuncia, limpando as mãos no avental.
Ayla desmontou, um sorriso cansado, mas contente, em seus lábios. Em mundo algum imaginou que ter uma mãe cuidadosa e preocupada fosse tão bom daquele modo.

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