Capítulo 68
Dr. Mendes baixa os olhos por um momento, a gravidade da situação pesando sobre seus ombros. Ele respira fundo antes de erguer o olhar para Amanda e Juan, cuja expressão ansiosa denuncia o receio do que está por vir. Ele é um homem de experiência, mas mesmo assim, momentos como esse nunca são fáceis.
—Eu sinto muito, Amanda — começa ele, a voz agora calma, mas carregada de pesar. —Os resultados dos exames revelaram que o linfoma de Hodgkin do seu marido está em um estágio avançado. A doença já comprometeu significativamente o funcionamento de diversos órgãos e sistemas do corpo dele.
Amanda sente um aperto no peito ao ouvir as palavras do médico, um medo que ela vinha tentando reprimir agora se materializando diante dela. Seu coração b**e forte, quase ensurdecedor em sua angústia. Ela olha para Juan, seus olhos buscando conforto e força nele, sabendo que juntos eles terão que enfrentar essa provação.
—O tratamento pode ajudar a aliviar alguns dos sintomas e atrasar a progressão da doença— continua o Dr. Mendes, mantendo o tom gentil, mas realista. —Mas infelizmente, dado o estágio avançado em que se encontra, é provável que seu Ryan comece a enfrentar dificuldades motoras, cognitivas e outras complicações nos próximos meses.
As palavras do médico pairam no ar, pesadas e carregadas de resignação. Amanda sente as lágrimas borbulharem em seus olhos enquanto absorve a dura realidade do diagnóstico do amor da sua vida. Um turbilhão de pensamentos invade sua mente, memórias felizes misturadas com o temor do desconhecido que agora se apresenta diante deles. Ela se agarra à esperança, mas é difícil encontrar forças para isso.
—Estamos aqui para oferecer todo o suporte necessário para vocês durante esse período difícil— o médico continua, enquanto Amanda começa a se deteriorar em seus próprios sentimentos.
Ela se sente como se estivesse à beira de um abismo, tentando desesperadamente encontrar algo para se agarrar. Juan aperta sua mão com mais força, transmitindo silenciosamente seu apoio e empatia inabalável.
—Nós podemos vê-lo?— Juan pergunta de repente, tentando não se afogar nas palavras ditas anteriormente pelo médico.
Sua voz soa firme, mas Amanda percebe a ponta de desespero que ele tenta esconder. Ryan sempre fora o porto seguro de Juan, seu rochedo em meio à tempestade, mas agora, Juan teria que ser para ele. Porque Ryan precisava se agarrar a ele com todas as suas forças.
—Sim, pode — o médico confirma. —Mas vale lembrar que ele ainda está um pouco inconsciente devido às medicações e bateria de exames.
—Obrigado, doutor,— Juan diz, e então se volta para Amanda, antes que ela se afogue de vez em sua dor e não consiga retornar.
Seus olhos encontram os dela, compartilhando um entendimento mútuo do desafio que agora têm pela frente. Juntos, eles enfrentarão o que vier, agarrando-se à esperança mesmo nos momentos mais sombrios.
—Você quer vê-lo?— Juan sussurra.
No mesmo instante, ela olha para Juan, os olhos brilhando em sua dor.

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