Juan não havia conseguido dormir durante toda aquela noite, sempre esperando que Alison aparecesse nas espreitas da casa. Mas tudo que aconteceu naquela madrugada foi o grito do silencio e as sombras que desenhava em todos os pensamentos de Juan.
Por isso, tão logo os primeiros raios de sol iluminam o seu quarto na mansão através das janelas, Juan desce do seu quarto e caminha pelo jardim da mansão, Juan diretamente se dirige ao anexo onde Ayla residia. O lugar que já não pertencia mais a ela, porque a verdade era que Juan a queria na mansão, junto a ele. Mas como sempre, todas as palavras que ele desejava dizer havia sumido dos seus lábios e ela havia passado a noite distante dele.
O seu coração batia forte no peito, uma mistura de esperança e apreensão enchendo sua mente enquanto ele se preparava para enfrentar o desconhecido. Enfrentar a versão de Ayla naquele dia, depois da ultima noite de angustia que tiveram.
Quando Juan chegou à porta do anexo, ele respirou fundo, reunindo toda a coragem que tinha dentro de si. Ele levantou a mão e bateu de um modo discreto na madeira da porta, esperando ansiosamente pela resposta de Ayla.
E foi com uma intensa surpresa que Ayla abriu a porta, seus olhos mostrando uma mistura de choque e hesitação ao vê-lo ali tão cedo. Depois de tudo. E apesar da dor que ainda a consumia, ela o recebe com educação, quase sendo confundido com indiferença.
—Ayla.— Juan fala de imediato. —Podemos conversar?
Ayla engole em seco e ela bem que gostaria de dizer que era tarde demais para qualquer coisa ser dita. Que ele tivera a chance de fazer isso antes, mas preferiu entrega-la o silencio e mentiras.
No entanto, Ayla estava extremamente cansada de conflitos e ela só gostaria de compreender toda aquela situação naquele momento. Preencher as lacunas dolorosas que se instalaram em seu coração.
Por isso, segurando com mais força o seu roupão de cor rosa em frente ao seu corpo, Ayla dá um passo para o lado e abre um pouco mais a porta, dando aceso a Juan ao seu anexo.
—Pode entrar.— Ela diz, a voz tão baixa que pode ser confundida por rouquidão.
Assim que Juan adentra o pequeno espaço de Ayla, sua mente segue girando com a urgência de suas palavras guardadas, com tudo que ele tinha a dizer. Ele sabia que precisava abrir o jogo com Ayla, contar-lhe tudo o que descobrira. Ela merecia e ele precisava daquilo.
—Ayla, preciso falar com você—, começou ele, outra vez sua voz carregada de agonia. —Sobre tudo que consegui descobrir até agora, coisas que acho que você precisa saber.
Ayla olhou para ele com curiosidade, seus olhos buscando os dele em busca de respostas. Mas Juan ainda permanece em silêncio, então ela se sentou em uma das cadeiras, pronta para ouvir o que ele tinha a dizer e o encoraja.
—Pode começar.— Ela diz, conseguindo ouvir as próprias batidas aceleradas do seu coração em seus ouvidos.
Juan respira fundo, reunindo suas palavras antes de começar a falar.
—Eu descobri que a Alison estava viva pelo detetive Vance. Havia sido realizado um pedido de exumação do corpo de Alison, porque as substancias supostamente encontradas no corpo dela eram contraditórias. Mas quando foi feita a exumação...—
—Não tinha corpo.— Ayla completa em um murmúrio e sente todos os pelos do seu corpo se arrepiarem.
—Não.— Juan confirma, a voz pesada. —Depois disso, eu contatei um detetive particular que pudesse me fornecer mais informações sobre isso, sobre o que de fato aconteceu com a Alison e tentar descobrir supostamente o lugar em que ela estava. Foi por isso, que passei o dia inteiro fora ontem, tentando investigar isso.
—E você descobriu algo?— Ayla pergunta, ansiosa.
Juan solta sua respiração um pouco exasperada e então nega com a cabeça lentamente.
—Tudo que sei com certeza até agora é que ontem a Alison conseguiu invadir a mansão, ver a Emma e apagar todas as imagens de segurança. Tenho a suspeita profunda de que ela está mais ao nosso redor do que imaginamos.—
—Meu Deus!— Ayla solta um suspiro, quase como uma suplica.

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