Capítulo 99
Aquela manhã completamente emotiva e com revelações tão dolorosas estava se esvaindo lentamente quando Rita decidiu que era hora de se despedir.
A intensidade de tudo que havia conversado pela manhã ainda pairava no ar, e todos sentiam o peso das revelações recentes. Os olhos vermelhos e inchados de Rita já falavam por si só, ocultando e demonstrando toda dor sentida e toda dor que ainda estava por vir.
Rita se levanta do sofá da sala de estar e olha nos olhos dos seus dois filhos, extremamente mais altos que ela, mas que sempre seria as suas crianças, seus bebês, a quem ela protegeria para sempre e sempre.
—Meus queridos, eu preciso voltar para casa e pegar algumas coisas,— disse Rita, observando os dois. —Decidi que vou passar um tempo na cidade com vocês.
Juan olhou para a mãe, surpreso, mas contente com aquela notícia. Naquele ponto de suas vidas, a família por perto era tudo que eles podiam contar.
—Isso é bom, mãe. Você pode ficar aqui conosco. Há espaço de sobra na mansão.
Rita sorriu, um sorriso que misturava ternura e firmeza e coberto com gratidão.
—Obrigada, meu querido. Mas tenho outro imóvel na cidade, Juan. Quero dar mais intimidade a você e à Ayla nessa nova fase. E, além disso, preciso do meu próprio espaço para processar tudo.
Juan assentiu, respeitando a decisão da mãe e a entendendo completamente. Ele havia tido vários meses para processar a informação sobre o Ryan e mesmo assim, não parece ter sido o suficiente. Ele sequer poderia imaginar o tanto de tempo e força que sua mãe iria precisar de agora em diante.
—Entendo, mãe. Mas saiba que sempre haverá um lugar para você aqui.— Ainda assim, Juan responde.
—Eu sei, meu querido. E vou estar por perto, não se preocupe.
Rita sorri em agradecimento e então, abraçou os filhos com força, um abraço carregado de amor e preocupação.
—Ryan...— ela chama, segurando o rosto de Ryan em suas mãos, observando os detalhes perfeitos do rosto do seu primogênito.
Ela sente as lágrimas querendo voltar a descer, mas ela se conteve.
—Ryan, eu me recuso a me despedir de você.— Ela murmura, por fim, depositando um beijo em sua bochecha.
E com um último olhar terno, ela sorriu e saiu, deixando Juan e Ryan sozinhos na sala, observando o caminho pelo qual ela se fora.
Ryan continuou observando a porta se fechar, enquanto suspirava.
—Ela é mais forte do que pensávamos,— disse ele, olhando para Juan.
Juan assentiu, porque ele sempre soubera que sua mãe era uma espécie de heroína, da qual ele jamais poderia descrever. No entanto, o olhar de Juan se voltou para seu irmão, cheio de preocupação.
—Ryan, o que você disse para a mãe foi um grande e difícil passo. Estou orgulhoso de você.
Ryan tentou sorri, mas havia uma sombra em seus olhos. Mais uma coisa que ele parecia ocultar e dessa vez de Juan, de quem ele jamais escondera nada.
—Obrigado, Juan.— ele responde, por fim. —Mas eu também eu queria falar com você sobre outra coisa.
Juan espera, ansioso, para que Ryan revele seja lá o que fosse.

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