Amber
Mesmo com Louis já tranquilo e o galo em sua testa começando a desinchar, eu ainda estava tensa. Por mais que soubesse que ele estava bem, era inevitável ficar em alerta. Sempre que os gêmeos batiam a cabeça, eu me pegava revisando mentalmente as instruções do pediatra, como se tivesse que garantir que nada escapasse ao meu olhar.
Louis estava deitado no sofá com a cabeça no colo de Leonardo, que parecia ainda mais apavorado do que eu. Ele perguntou, pela terceira vez, se não seria melhor levá-lo ao pronto-socorro.
"Leo," suspirei, olhando para ele enquanto terminava de dobrar uma manta. "Ele está bem. Não teve nenhum dos sintomas de alerta que o médico falou. Qualquer coisa, ligamos para o pediatra, mas, por enquanto, não precisamos exagerar."
Ele concordou com um murmúrio relutante, mas continuou acariciando os cabelos de Louis, como se isso fosse afastar qualquer perigo. "Eu sei, mas... e se ele estiver escondendo alguma coisa? Ele é pequeno, Amber. E aquela queda foi feia."
Antes que eu pudesse responder, Nonna Rosa entrou na sala com um olhar que poderia perfurar aço. "Leonardo!" ralhou, gesticulando como se estivesse dirigindo um exército. "Quante volte ti ho detto di stare attento ai bambini? (Quantas vezes eu te disse para tomar cuidado com as crianças?)"
"Nonna..." Leonardo começou, mas ela o interrompeu com um olhar severo.
"Non voglio scuse! (Não quero desculpas!) Você é o pai, deveria estar olhando!" Sua voz era cheia de exasperação, mas também de amor. "E agora, olha para ele! Meu povero bambino!" (Meu pobre menino)
Louis, que até então estava aproveitando o colo e o carinho do pai, olhou para Nonna com os olhos brilhantes, mas ainda conseguiu responder com uma pequena risada. "Nonna, eu sou fote como o papai!" declarou, levantando o braço em um gesto exagerado para mostrar os músculos.
A sala explodiu em risos, e até Nonna Rosa não conseguiu segurar um sorriso. "Ah, sei forte? Allora dimostralo non cadendo più! (Ah, é forte? Então prove não caindo mais!)"
Aquela família era o meu novo normal: picuinhas, brigas, risadas, choros... mas, acima de tudo, alegria e amor. Olhei para Bella, que estava sentada ao meu lado desenhando em um caderno, completamente alheia ao caos ao redor. Ela me mostrou o desenho, uma cena colorida de todos nós juntos, e meu coração se apertou com amor.
"É lindo, meu amor," elogiei, beijando sua testa.
"É a nossa família," ela disse com orgulho, apontando cada figura. "Aqui é você e o papai, e aqui sou eu segurando e o Louis. E aqui é o bebê." Sua explicação me arrancou o folego.
"Bebê? Sua boneca, meu amor?"
"Amber, o que foi?" ele perguntou, sua voz cheia de preocupação enquanto colocava uma mão em meu ombro.
"Um sonho," murmurei, tentando acalmar minha respiração. "Era o escritório. Havia seguranças... eles estavam me tirando de lá. Eu chamava por você, mas você não respondia."
Leonardo franziu o cenho, inclinando-se para me abraçar. "Foi só um sonho," sussurrou, sua voz suave. "Eu estou aqui, com você."
"Eu sei," respondi, minha voz mais firme agora, mas ainda cheia de emoção. "Só... foi tão real."
Ele me segurou mais perto, seus braços ao redor de mim como uma barreira contra qualquer ameaça, real ou imaginária. "Eu nunca deixaria algo assim acontecer," garantiu, seus lábios pressionando um beijo em minha testa. "Nunca."
Assenti, sentindo a calma começar a se infiltrar. Cada batida do coração dele, cada respiração, parecia me dizer que eu estava segura, que aqueles pesadelos não tinham poder algum aqui. Enrosquei-me mais perto, deixando o calor de seu abraço dissipar qualquer resquício de medo.
No fundo, sabia que as sombras daquele sonho ainda espreitavam, mas ali, nos braços de Leonardo, eu me permiti acreditar que nada poderia nos separar.

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