Leonardo
O relatório estava espalhado sobre a mesa à minha frente, cada palavra gravada em negrito na minha mente, mas ainda assim, me recusava a acreditar. O anel que Amber encontrou não passava de uma joia comum, sem nenhuma modificação, dispositivo ou qualquer coisa que pudesse ser usada para espionagem. Apenas uma joia.
Passei as mãos pelo rosto, frustrado. Isso não faz sentido. Era como se todas as peças que tínhamos começado a montar desmoronassem de uma vez. Peguei o telefone e disquei para Magnus. O sinal chamou, uma vez, duas vezes... nada. Deixei o telefone de lado com mais força do que pretendia, o barulho ecoando no quarto silencioso.
Antes que pudesse me afundar ainda mais na frustração, Amber entrou no quarto, encostando-se na porta. Seu olhar estava sereno, mas carregava uma pontada de preocupação. "As crianças sentiram falta de você na hora de dormir," disse, sua voz gentil, mas firme.
Fechei os olhos por um momento, deixando a culpa me invadir. "Me desculpe, amor. Eu me perdi com isso," admiti, indicando os papéis sobre a mesa. "Achei que estávamos no caminho certo. Que esse anel fosse algo mais."
Ela se aproximou, pegando o relatório e lendo as palavras como se esperasse encontrar algo que eu pudesse ter perdido. Depois de alguns minutos, suspirou. "É decepcionante," admitiu, colocando o papel de volta na mesa. "Tínhamos tanta certeza. Mas pensando bem, ela não seria tão óbvia. Estamos deixando passar algo, Leo, algo realmente importante."
"E para ajudar Magnus não atende," murmurei, levantando-me e andando até a janela. Olhei para a cidade lá fora, as luzes cintilando como estrelas. "Isso me preocupa. Ele nunca ignora minhas chamadas."
Amber se sentou na cama, cruzando as pernas enquanto me observava. "Hoje é o dia de folga dele, Leo," disse, suavemente. "Ele tem todo o direito de evitar ligações do patrão. Fora que ele nunca faz questão das folgas, mas a de hoje..."
"Eu sei, mas... é diferente," respondi, virando-me para ela. "Ele não é só meu funcionário, Amber. Magnus é meu amigo. E, acima de tudo, sinto que há algo errado. Não sei explicar, mas estou com um mau pressentimento."
Ela inclinou a cabeça, seus olhos me analisando cuidadosamente. "Só isso?" questionou, arqueando uma sobrancelha.
"Sim," afirmei, respirando fundo. "É como se fosse minha responsabilidade cuidar de todo mundo à minha volta. Não ter notícias dele me deixa... inquieto."
Amber assentiu, levantando-se e colocando uma mão no meu braço. "Se você está tão preocupado, vamos até lá," disse, com um pequeno sorriso. "Verificamos se está tudo bem e voltamos. Sem falar de trabalho, ok? Amanhã teremos o dia inteiro para traçar os próximos passos."
Olhei para ela por um momento, absorvendo sua tranquilidade. Amber tinha essa habilidade de acalmar a tempestade que constantemente rugia dentro de mim. "Tem certeza?" perguntei. "Pode ser uma viagem desnecessária."
"Se isso te ajuda a dormir hoje à noite, não é desnecessário," ela respondeu, pegando minha mão e apertando-a suavemente. "Mas prometa: nada de trabalho."
"Ok," concordei, soltando um suspiro aliviado. "Vamos até lá e voltamos logo."
Amber sorriu, indo até o armário para pegar um casaco. Observei-a por um momento, admirando a força tranquila que ela exalava. Apesar de tudo o que passamos, ela ainda conseguia ser minha âncora. Peguei meu casaco também, decidido a seguir seu conselho.
Enquanto saíamos, peguei o telefone mais uma vez e tentei ligar para Magnus novamente. Sem resposta. Mas, desta vez, a ansiedade parecia menos esmagadora. Amber estava ao meu lado, e juntos enfrentaríamos qualquer coisa que nos aguardasse.
"Pronto para ir?" ela perguntou suavemente, as chaves do carro balançando em sua mão.
"Pronto," respondi, apertando levemente sua mão antes de abrir a porta do carro para ela. Amber entrou com um sorriso breve, e em seguida, me acomodei no banco do motorista.
O motor ronronava suavemente enquanto seguíamos para nosso destino, e mergulhei na tranquilidade peculiar de dirigir à noite. As luzes da cidade piscavam como reflexos de pensamentos que passavam por minha mente. O silêncio entre nós era confortável, carregado de compreensão mútua. Amber olhava pela janela, um meio sorriso dançando em seus lábios, como se estivesse sintonizada com o que eu sentia sem que fosse necessário dizer nada.
Houve uma pausa antes de ouvirmos passos vindos do outro lado da porta. Quando ela se abriu, fiquei congelado no lugar. Gabriela estava ali, usando uma camiseta branca que claramente não era dela. Era uma camiseta larga o suficiente para deixar evidente que pertencia a Magnus.
Ela pareceu igualmente surpresa ao nos ver, seus olhos se arregalando levemente antes de tentar compor-se. “Leonardo, Amber... aconteceu alguma coisa?”
Amber ficou ao meu lado, igualmente desconcertada. Eu consegui abrir a boca primeiro, tentando superar o momento. “Leo ficou preocupado de que tivesse acontecido algo com Magnus, por ele não ter atendido o celular, mas vejo que está tudo muito mais que bem.”
Gabriela corou, desviando o olhar. Antes que pudesse responder, Magnus apareceu atrás dela, também parecendo surpreso. “Leo? Amber? O que vocês estão fazendo aqui?” Ele olhou para Gabriela e depois de volta para nós, parecendo juntar as peças rapidamente.
“Você não atendeu,” expliquei, cruzando os braços enquanto tentava manter minha expressão neutra. “Eu me preocupei. Mas, pelo jeito, não tinha com o que me preocupar. Nos desculpe, já estamos de saída.” O desconforto no ar era quase tangível.
“Não, por favor, entrem.” Gabriela respondeu rapidamente, os olhos alternando entre Magnus e nós. Ela parecia lutar para recuperar a compostura. “Não estamos... ocupados.”
Antes que pudéssemos reagir, Magnus deu um passo à frente, levantando as mãos em um gesto quase defensivo. “É sério, Leo, Amber. Só houve um pequeno acidente.” Ele parou por um momento, respirando fundo. “Derrubei uma taça de vinho em Gabriela.”
O olhar de Amber encontrou o meu, e eu soube que estávamos pensando a mesma coisa: Isso explica a camiseta, mas não o clima aqui.
“Um... acidente,” Amber murmurou, tentando esconder um sorriso enquanto olhava para Gabriela, que parecia prestes a se transformar em uma estátua.
“Sim,” Magnus reforçou, quase com urgência. “Um acidente. E só para esclarecer, porque claramente não é isso que vocês estão pensando, mas foi isso e apenas isso que aconteceu.” Ele parecia desconfortavelmente ciente de que ninguém acreditava completamente em sua explicação.

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