Amber
Entrar na casa de Magnus, especialmente depois de encontrar Gabriela usando uma camiseta claramente dele, era como atravessar um portal para uma dimensão de puro constrangimento. Gabriela, no entanto, parecia não perceber, ou fingia muito bem. Ela insistiu para que entrássemos, sorrindo como se fosse a anfitriã oficial.
"Por favor, entrem! Já que estão aqui, pelo menos aproveitem um pouco," disse, enquanto segurava a porta aberta.
Troquei um olhar rápido com Leonardo, que apenas deu de ombros e murmurou algo como "tudo bem". Não estávamos exatamente no clima de recusar sem parecer rudes. Magnus, por outro lado, parecia querer desaparecer. Ele olhou para Gabriela, depois para nós, como se estivesse tentando calcular onde exatamente tinha perdido o controle da situação.
A casa de Magnus era um reflexo dele: organizada, elegante, mas sem ser pretensiosa. Um aroma sutil de madeira e algo levemente cítrico preenchia o ambiente, e a decoração tinha tons neutros e móveis minimalistas. Gabriela nos guiou até a sala de estar como se a casa fosse dela, movendo-se com a naturalidade de quem já conhecia cada canto.
"Fiquem a vontade. Vou buscar algo para vocês beberem." ela falou com elegância.
Leonardo e Magnus permaneceram em silêncio por alguns minutos, um tipo de pausa constrangedora que parecia durar uma eternidade. Magnus, sentado com as mãos cruzadas e o copo levemente inclinado para frente, olhou para Leonardo de relance, mas não disse nada. Leonardo, por sua vez, tamborilava os dedos na perna, claramente tentando encontrar algo para dizer que aliviasse a tensão.
Finalmente, Leonardo limpou a garganta e quebrou o silêncio. "Então... o relatório do anel," começou, sua voz ainda carregada de frustração. "Nada. Apenas uma joia comum. Nenhum dispositivo, nenhuma alteração. Parece que estamos dando voltas sem sair do lugar."
Magnus ergueu uma sobrancelha, parecendo relaxar com o assunto. "É frustrante, mas não é incomum. Martina é esperta, Leo. Se ela plantou algo, não seria óbvio."
Leonardo assentiu, passando a mão pelo rosto. "O problema é que isso não nos leva a lugar nenhum. Eu esperava que fosse uma pista, Magnus. Algo que nos desse alguma vantagem."
"Eu entendo," Magnus disse, sua voz mais baixa, mas firme. "Mas precisamos ser pacientes. Acredito que Martina não é tão cuidadosa quanto ela pensa. Ela vai cometer um erro."
"Espero que você esteja certo," Leonardo respondeu, inclinando-se para trás no sofá. "Porque, no momento, parece que estamos jogando no escuro. E eu odeio essa sensação."
Magnus deu de ombros, um leve sorriso curvando seus lábios. "Bem-vindo ao clube. Você acha que eu gosto de ter um quebra-cabeça sem todas as peças? A diferença é que eu estou acostumado a esperar. Você, por outro lado..." Ele gesticulou na direção de Leonardo, com um olhar divertido. "Vamos apenas dizer que paciência não é o seu forte."
Leonardo soltou uma risada seca. "Você não está errado. Mas não posso evitar. Isso não é só sobre a empresa, Magnus. É sobre Amber, as crianças... nossa segurança. É pessoal."
Magnus olhou para ele, seu semblante suavizando um pouco. "E é por isso que você vai conseguir resolver isso, Leo. Porque, para você, sempre será mais do que trabalho. É a sua vida. Só não esqueça de respirar de vez em quando."
Leonardo fez uma pausa, deixando as palavras de Magnus ecoarem por um momento antes de assentir. "Respirar, hein? Vamos ver se consigo fazer isso."
"Por que você não faz algo a respeito?" perguntei, cruzando os braços. "Você quer, ele claramente sente algo... o que está te segurando?"
Gabriela voltou a olhar para as taças, como se nelas pudesse encontrar as respostas para a bagunça que estava em sua cabeça. "Minha vida já é complicada o suficiente, Amber. Trabalho, pacientes, minha própria bagagem emocional e passado... eu não quero colocar o Magnus no meio disso. Ele já tem coisas demais para lidar."
Dei um pequeno sorriso, tentando ser compreensiva, mas sem deixar de pressioná-la. "E você acha que ele não está preparado para isso? Gabriela, ele é um homem forte. Ele enfrentaria qualquer coisa por alguém que ele se importa."
Ela olhou para Magnus, que estava na sala conversando com Leonardo, o rosto concentrado enquanto gesticulava para explicar algo. Por um momento, ela parecia hesitante, como se estivesse tentando se convencer de algo.
"Não importa," disse finalmente, balançando a cabeça. "Eu já percebi que ele não vai fazer nada. Ele tem medo de trazer problemas para mim, tanto quanto eu tenho medo de trazê-los para ele. Estamos presos em um ciclo."
Antes que eu pudesse responder, um som alto ecoou pela casa, a secadora. Gabriela suspirou, como se fosse uma bem-vinda interrupção. "Minha roupa deve estar pronta," disse, mais para si mesma do que para mim. "Já volto."
Ela pegou a bandeja com as taças, colocou-a sobre a bancada e saiu da cozinha, deixando-me com meus pensamentos.
Encostei-me na bancada novamente, olhando para a porta por onde ela havia saído. Era claro que Gabriela estava completamente confusa sobre o que sentia por Magnus, e ele provavelmente não estava em um estado mental muito diferente. Tudo o que eu conseguia pensar era como duas pessoas podiam complicar tanto algo que parecia tão óbvio.

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