Leonardo
Saímos da clínica com Amber ainda um pouco em choque. Sua mão estava entrelaçada à minha, mas sua pegada era mais frouxa do que o normal, como se sua mente ainda estivesse tentando processar tudo.
No carro, ela olhava pela janela, perdida em pensamentos. Eu podia ver a inquietação em seu rosto, o leve franzir das sobrancelhas, o morder de lábio que denunciava sua hesitação.
"B," falei, mantendo uma das mãos no volante e a outra acariciando a sua. "Você está muito quieta."
Ela suspirou, desviando o olhar da janela para mim. "É só que... ainda parece surreal. Eu sei que estou grávida, sei que o médico confirmou, mas, ao mesmo tempo parece cedo demais para contar a todos."
"Por que você acha isso?" perguntei, já sabendo a resposta.
"Porque é o começo da gravidez. Porque ainda tem muitas incertezas. Porque..." Ela parou e mordeu o lábio de novo. "Porque eu tenho medo."
Minha mão apertou a dela com carinho. "Amber, eu entendo. Mas você não precisa carregar esse medo sozinha. Você não está sozinha. E se há algo que aprendemos com tudo o que passamos é que não há tempo certo para celebrar a felicidade. Você merece esse momento. Nós merecemos."
Ela ficou me olhando por alguns segundos antes de soltar um pequeno sorriso. "Quando você fala assim, parece que tudo faz sentido."
"Porque faz, B," respondi, levando sua mão até meus lábios e depositando um beijo ali. "Agora vamos para casa. Precisamos contar para a nonna e para os pequenos. Acho que eles vão gostar da ideia de ter mais um Martinucci correndo pela casa."
Ela soltou uma risada leve, finalmente relaxando um pouco.
Assim que chegamos em casa, a bagunça dos gêmeos já era audível da entrada. Bella e Louis corriam pela sala, seguidos de perto por Samia e Aretha, que tentavam, sem muito sucesso, convencê-los a diminuir a euforia.
"Eu peguei você pimeilo!" Bella gritou, rindo enquanto corria atrás do irmão.
"Pegou nada! Eu sou lápido!" Louis rebateu, desviando com agilidade.
"Vocês são furacões, isso sim," brinquei, chamando a atenção dos dois. Assim que nos viram, Bella e Louis correram na nossa direção.
"Mamãe, papai!" Bella pulou no meu colo enquanto Louis se pendurava em Amber. "Vocês demolalam!"
Amber riu, pegando Louis no colo e dando-lhe um beijo na bochecha. "Mas voltamos com uma novidade."
"Novidade?" Bella arregalou os olhinhos brilhantes. "É pesente?"
"É melhor do que um presente," falei, colocando Bella no chão e segurando Amber pela cintura. "Vocês vão ganhar um irmãozinho ou irmãzinha."
Houve um momento de silêncio, como se os pequenos estivessem processando a informação. Então, de repente, Bella soltou um grito animado.
"Um bebê?! Mamãe, tem um bebê na sua barriga?"
Amber riu e assentiu. "Sim, querida."
"Eu disse que tinha, lemba? Meu desenho!"
Louis arregalou os olhos e colocou a mãozinha na barriga dela. "Mas cadê ele? Como ele tá aí dento?"
Aretha e Samia seguraram a risada, enquanto eu tentava manter a seriedade. "Ele ainda é muito pequenininho, Louis. Vai crescer dentro da mamãe até estar pronto para nascer."
Bella colocou as mãos na cintura, fazendo sua melhor cara de mandona. "Eu quelo que seja uma imãzinha! Já tenho o Louis de menino!"
"Não, um imãozinho!" Louis retrucou, cruzando os braços. "Quelo um imão, papai!"
"Pode ser qualquer um dos dois, mas vão ter que amar muito, igual vocês dois se amam," Amber disse, puxando os dois para um abraço.
Samia e Aretha sorriam, emocionadas. "Parabéns, senhora Bayer," Samia disse.
Amber riu, encostando a cabeça no meu ombro. "Iremos depois do Natal, prometo."
"Ah, não se preocupem," meu pai disse, sorrindo. "Passaremos o Natal aí e vocês virão para a Itália para o Ano Novo. Esse bebê já tem que sentir suas raízes italianas desde cedo!"
Amber riu, encostando a cabeça no meu ombro. "Acho que não temos escolha, né?"
"Não mesmo, querida!" minha mãe exclamou. "Essa casa precisa ser preenchida com ainda mais amor!"
Depois de alguns minutos conversando, nos despedimos, e Amber se virou para mim, colocando as mãos sobre meu peito.
"Viu? Foi bom contar," murmurei.
Ela sorriu, passando os dedos suavemente pelo meu rosto. "Sim. Sua família... eles realmente se importam. É lindo de ver."
"Nos importamos com você também, cara mia," respondi, segurando seu queixo com delicadeza e encostando minha testa na dela. "E agora, mais do que nunca, quero torná-la oficialmente uma Martinucci."
Ela piscou, confusa. "O que quer dizer com isso?"
"Precisamos nos casar antes do nosso pequeno milagre vir ao mundo."
Amber abriu um sorriso terno, os olhos brilhando. "Leo..."
"Dará tempo, querida. Seremos a base da nossa família. O pilar dos nossos filhos. Seremos um só por eles e por nós."
Puxei-a para um beijo profundo, sentindo a felicidade transbordar dentro de mim. Bella e Louis gritaram um "Eca!" ao fundo, enquanto nonna Rosa, Samia e Aretha batiam palmas.
E ali, cercados pelos risos das crianças, o carinho da família e o amor inabalável que nos unia, soube que nada poderia ser melhor do que aquele momento.

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