Peter
A sala estava silenciosa, mas a bagunça ao meu redor refletia o caos que dominava minha mente. Papéis espalhados pela mesa, contas atrasadas acumulando-se em pilhas ameaçadoras, e a garrafa de uísque pela metade ao lado do copo vazio que eu segurava. Eu estava afundando, e tudo o que construí parecia escorrer pelas minhas mãos como areia.
Meu telefone tocava incessantemente, mas eu ignorei. Devia ser mais um credor ou, pior, um dos poucos investidores restantes que ainda acreditavam que minha empresa tinha salvação. A verdade era que eu estava sem saída. Os valores das ações haviam despencado, e a única oferta que recebi era ridícula, um insulto. Owen havia conseguido um valor decente ao vender sua parte, mas para mim, a proposta era um reflexo da percepção do mercado: "Peter Calton está destruindo a empresa."
Soltei um riso amargo, jogando o copo sobre a mesa com força. Ele não quebrou, mas o som ecoou pela sala, um lembrete do vazio que minha vida havia se tornado. Era inacreditável que tudo tivesse chegado a isso. Meu nome, que antes era sinônimo de sucesso, agora estava manchado, associado ao fracasso e à ruína.
"Isso não pode estar acontecendo," murmurei para mim mesmo, passando as mãos pelos cabelos. Mas estava. E eu sabia disso.
A campainha tocou, um som agudo e irritante que me fez cerrar os dentes. Não era comum receber visitas, especialmente agora que não tinha mais funcionários para atender a porta ou manter as aparências. Respirei fundo, já sentindo a irritação subir, e fui até lá, pronto para dispensar quem quer que fosse.
Abri a porta com um movimento brusco, e a visão à minha frente fez meu coração parar por um instante. Dois policiais, uniformes impecáveis e expressões sérias, estavam ali. Um deles segurava um papel em mãos.
"Senhor Peter Calton?" perguntou o policial, sua voz firme.
"Sim," respondi, tentando soar autoritário, mas havia uma hesitação em meu tom que me traiu. "O que está acontecendo aqui?"
"Temos um mandado de prisão contra o senhor," disse o outro policial, entregando-me o documento. "Por ameaça, cárcere privado, extorsão, roubo e tentativa de assassinato contra Leonardo Martinucci e Amber Bayer."
Por um momento, o mundo pareceu girar. Li as palavras no mandado, mas elas não faziam sentido. Aquilo não podia ser real.
"Isso só pode ser uma piada," rebati, tentando manter a compostura. Mas o desespero começou a se infiltrar, espalhando-se como uma corrente de gelo pelo meu corpo.
"Não há engano," disse o policial, com uma calma que só aumentava minha fúria. "Senhor Calton, pedimos que nos acompanhe."
"Peter Calton, o que tem a dizer sobre as acusações?" gritou um deles.
"É verdade que você tentou matar Leonardo Martinucci?" perguntou outro.
Meu coração disparou, e a vergonha misturada com raiva me consumiu. Eu era um homem acostumado aos holofotes, mas não desse jeito. Não como um criminoso.
"Isso é uma farsa!" gritei, tentando me livrar das mãos dos policiais. "Eu sou inocente! Tudo isso é uma armação!" Mas minhas palavras pareciam inúteis. Ninguém acreditaria em mim agora.
Enquanto era colocado no carro da polícia, meus olhos percorreram a multidão. Alguns sussurravam, outros tiravam fotos ou filmavam. A humilhação era insuportável. Meu coração estava pesado, e minha mente corria em todas as direções. O que aconteceria agora? Como eu poderia sair dessa?
Quando as portas do carro se fecharam, senti a realidade finalmente me atingir. Minha vida estava em ruínas, e agora eu estava prestes a enfrentar as consequências de tudo. Por mais que quisesse culpar o mundo, no fundo, uma voz pequena e incômoda sussurrava: Você fez isso consigo mesmo.

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