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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 313

Cap.120

O Vazio da Manhã

POV. Katleia)

A luz do sol estava alta quando abri os olhos.

O quarto estava iluminado por uma claridade dourada que entrava pelas frestas da cortina, pintando listras quentes no edredom revirado. O ar ainda cheirava a cera das velas que queimaram até o fim.

Mas o lado da cama ao meu lado estava vazio.

Frio.

Estendi a mão, tateando o lençol onde ele deveria estar. Não havia calor residual. Não havia a marca de seu corpo no travesseiro. Apenas o vazio.

— Átila? — chamei, a voz saindo rouca, ainda embargada pelo sono.

Silêncio.

Levantei-me devagar, sentindo os músculos das pernas ainda bambas da noite anterior. O pijama estava amassado, a camisa aberta, as marcas de seus dedos ainda na minha pele, pequenas manchas roxas que eu tocava sem querer, sentindo um calafrio quente subir pela espinha.

Olhei ao redor. Nada.

Peguei o roupão no pé da cama, cobrindo o corpo ainda nu, e caminhei até a cômoda. Meus olhos encontraram uma caixa de remédio, parece que ele acordou bem cedo.

Peguei o pacote pequeno, Anticoncepcional.

Ele comprou. Ele foi à farmácia, comprou o remédio, colocou sobre a cômoda. E depois foi embora.

Sem bilhete. Sem despedida. Sem explicação.

Sentei no chão, encostada na cama, a caixa do remédio apertada contra o peito. Não era tristeza. Era confusão e uma sensação de ter sido deixada para trás.

— Por que você não fica? — sussurrei para o quarto vazio.

Depois de um banho demorado, com a água quente tentando lavar a confusão dentro de mim, sentei-me diante do laptop.

O cabelo ainda molhado pingava sobre os ombros, e a camisa de pijama trocada agora era azul, a cor que ele disse que gostava, eu nem me importava muito.

O e-mail estava lá.

No topo da caixa de entrada.

Remetente, o mesmo homem que me infernizou por dias.

Meu coração parou.

O cursor piscava sobre o assunto vazio. Apenas o nome dele, a data, a hora. Minha mão tremeu sobre o mouse. Meus olhos percorreram as primeiras linhas sem querer ler.

Kat-x. Vou direto ao ponto porque rodeios são covardias que você não merece."

Fechei a tela.

O clique foi seco, violento. O laptop tremeu sobre a mesa.

— Não quero saber — disse em voz alta, levantando-me da cadeira. — Não quero ler. Não quero saber não.... não vou deixar esse homem acabar com meu dia.

Comecei a andar pelo quarto, os pés descalços no tapete, a respiração acelerada. Minhas mãos tremiam. Meu coração martelava.

Olhei para o laptop.

Respirei fundo. Sentei novamente.

Abri o e-mail.

"Sou o homem que escreveu os e-mails. Sou o homem que te perseguiu."

Li uma vez. Duas. Três.

A letra dançava diante dos meus olhos. As palavras se misturavam, se embaralhavam, se recusavam a fazer sentido.

"Não estou pedindo perdão. Não tenho esse direito."

Minha mão coçava para fechar a tela de novo. Para ignorar.

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