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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 317

Cap.124: O Aeroporto das Despedidas

Selene não chegou devagar.

Não veio com passos hesitantes ou perguntas educadas. Selene irrompeu no pequeno círculo que se formara ao redor dos dois como um furacão, os olhos faiscando de fúria.

— SEU MENTIROSO!

O tapa que Axel recebeu nas costas, ecoou pelo corredor do aeroporto.

Axel levou a mão à bochecha, atônito. A marca vermelha da mão de Selene já começava a aparecer em sua pele morena. Ele não tentou se defender. Não recuou. Apenas ficou ali, imóvel, aceitando.

— Como você se atreve? — Selene continuou, a voz trêmula de raiva e mágoa. — Como se atreve a ir embora sem se despedir? Você disse que viajava amanhã! Mentiu para todos nós!

— Selene...

— Estávamos planejando uma festa de despedida! — ela gritou, as lágrimas começando a escorrer. — Uma festa, Axel! Com bolo, com presentes, e te chamando de idiota! E você simplesmente some? Vai embora sem previsão de volta? Faz isso comigo? O que eu sou? Não me considera sua irmã? Não se importa mais comigo?

— Com a gente? — Gildete completou, chegando ao lado de Selene com Katleia e Mima de braços cruzados.

— Faz isso com a Maju? — Selene apontou para a garota, que ainda tremia, os olhos fixos em Axel. — Você viu o estado que ela está? Correu o aeroporto inteiro para te encontrar, e você age como se fosse só mais um voo? Como se a gente não fosse sua família?

Axel a encarou. O rosto ainda estava impassível, mas algo em seus olhos vacilou.

— Porra, Selene — ele disse, finalmente, a voz mais cansada do que irritada. — Você fala pra caramba, hein? Acho que o Adon está ficando falador por sua causa, mas... — ele desviou o olhar tentando disfarça. — eu não sou homem de despedida, na família Felix até então, éramos assim, se tem que ir apenas vá. Você deveria ser menos agressiva.

— NÃO MUDE DE ASSUNTO!

— Enfim... — Axel suspirou, passando a mão pelo cabelo. — Tenho que ir embora. São problemas de negócio. Coisas que não dão para adiar.

— Que negócio? Você mal trabalha no grupo Felix! Sempre agiu como um vagabundo jogando tudo nas costas do meu marido.

— Negócios pessoais, Selene. — A voz dele ficou mais baixa. — Coisas que eu preciso resolver sozinho, já que eu era um vagabundo, não é melhor eu criar maturidade e voltar um homem então? Preciso desse tempo, as coisas não estão legais, ok?

O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de palavras não ditas. As meninas se entreolharam. Gildete apertou o braço de Mima. Katleia segurou a mão de Selene.

Maju não se moveu ainda pé em frente a ele sem conseguir desviar seu olhar dele.

Apenas olhava para Axel, os olhos ainda brilhando, os lábios trêmulos.

— Não vou demorar tanto — ele disse, finalmente, e pela primeira vez sua voz não era de pedra. Era quase suave. Quase um pedido. — E nem vou morrer, ok? Não façam esse drama todo.

— Drama? — Selene repetiu, incrédula. — Você chama isso de drama? Depois de mentir e descobrirmos em cima da hora que você já esta partindo?

— Selene... — Axel deu um passo à frente e, para surpresa de todos, a puxou para um abraço rápido, firme. — Cuida da Maju. E do Adon. E de você. Ok?

Selene ficou rígida por um segundo, mas depois seus braços se fecharam ao redor do irmão.

— Se você não voltar, eu vou te caçar — sussurrou. — E quando te encontrar, vou te matar eu mesma.

— Combinado.

Ele a soltou. Olhou para Gildete, Katleia, Mima. Um aceno. Um sorriso de canto. Um adeus silencioso.

E então seus olhos encontraram os de Maju.

Por um segundo, apenas um segundo, a máscara caiu. Ela viu. Viu o que ele tentava esconder.

— Se cuida — ele disse.

— Você também — ela respondeu, a voz saindo num fio.

Axel se virou e caminhou em direção ao portão de embarque. Não olhou para trás.

Maju ficou ali, parada, sentindo o coração se partir em pedaços.

Ela não sabia que doía tanto assim. Amar alguém e ver esse alguém partir sem hesitar. Sem uma promessa. Sem uma data de volta e sem nem mesmo olhar para tras.

— Axel é cruel demais.... — ela suspirou baixinho.

Selene a envolveu em um abraço.

— Ele é um idiota — sussurrou contra o cabelo de Maju. — Um malandro sem causa.

Maju não respondeu. Apenas se aninhou no abraço, sentindo as lágrimas escorrerem silenciosamente.

— Mas olha — Selene continuou, afastando-se apenas o suficiente para olhar no rosto da garota — quando ele voltar, e ele VAI voltar, a gente amarra ele e leva pro cartório. Nem que seja na marra, se você gosta dele tanto assim, eu deixo ele ser seu, mesmo que ele não queira.

Gildete soltou uma risada curta.

— Eu seguro os braços.

— Eu seguro as pernas — Katleia completou.

— Eu colo esparadrapos na boca dele, porque ele vai chiar muito — Mima acrescentou.

Maju soluçou entre uma risada e uma lágrima.

— Vocês são doidas.

— Somos um exército — Selene corrigiu, séria. — E exército não deixa ninguém para trás.

Ela enxugou o rosto de Maju com as costas da mão.

— Agora, você precisa terminar o ensino médio. Passar na faculdade. Fazer sucesso. — Ela apertou o ombro da garota. — Amor depois, ok? Primeiro você se constrói. Depois, se ainda quiser ele, a gente vai atrás, por agora... qualquer decisão pode fazer você se arrepender, vamos viver.

Maju olhou para as amigas. Uma a uma. Gildete, com seu jeito prático e protetor. Katleia, com os olhos marejados de solidariedade. Mima, com seu sorriso enigmático. Selene, com sua força inabalável e senso de proteção e vontade de segurar todo mundo.

— Eu vou me esforçar — ela disse, a voz ainda trêmula, mas mais firme agora. — Vou cumprir meu último ano. Vou passar na faculdade. Vou fazer tudo o que eu planejei.

— É isso aí — Gildete disse, dando um tapinha em suas costas. — Agora vamos para casa. Estou congelando.

O grupo se virou e começou a caminhar de volta para a saída. Maju ainda olhou uma vez para trás, para o portão de embarque, para o lugar onde Axel havia desaparecido.

Depois virou o rosto e seguiu as amigas.

O carro estava silencioso na volta. Selene dirigia, os olhos fixos na estrada. Gildete cochilava no banco do passageiro. Mima olhava pela janela, perdida em pensamentos.

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