Cap.122
O fórum de justiça era um prédio cinzento e impessoal, com corredores longos e salas frias onde a luz fluorescente criava sombras duras nos rostos. Átila estava sentado em uma das salas de audiência, as mãos algemadas sobre a mesa à sua frente.
William estava ao seu lado, a pasta de documentos aberta, os óculos apoiados no nariz.
— É uma audiência privada — explicou, a voz baixa. — O juiz aceitou seu pedido. Katleia não precisa estar aqui. Ela não vai ver você, além disso, ela também concordou com isso.
Átila assentiu, sem erguer os olhos.
— Melhor assim.
— Você sabe o que vai acontecer?
— Sei.
O juiz entrou. A promotora entrou. O delegado que investigou o caso entrou. Nenhum repórter. Nenhuma câmera. Nenhuma plateia.
Átila confessou. lia cada e-mail em voz alta. Descreveu cada ameaça, cada comentário, cada noite em que se escondia atrás do pseudônimo para atacar a mulher que, pessoalmente, havia jurado proteger.
O juiz o ouviu em silêncio. A promotora fez perguntas. William respondeu. Átila confirmou.
Quando terminou, o juiz fez uma pausa longa.
— Átila Felix — disse, finalmente —, considerando sua confissão voluntária, sua colaboração com as investigações, e a ausência de antecedentes criminais registrados (apesar de sabermos que isso é uma falha do sistema, claro!), este juiz o sentencia a um mês de prisão em regime fechado, seguido de um ano de serviço comunitário.
Um mês.
Apenas um mês.
Átila não reagiu. Nem alívio. Nem indignação. Apenas aceitação.
— Determinado o cumprimento imediato da pena — o juiz concluiu, batendo o martelo. — Próximo caso.
Os seguranças se aproximaram. William apertou o ombro de Átila.
— Um mês — disse, como se precisasse repetir para si mesmo. — Só um mês.
— O que há de errado? — William perguntou pensativo.
— É o que mereço? — Átila respondeu, levantando-se.
— Bom... sua pena seria de pelo menos cinco anos juntando alguns outros delitos que foram considerados no âmbito das mensagens, contudo... o juiz recebeu uma carta da vitima, você tem sorte que ela te protegeu mesmo sem saber quem é você.
— do que você esta falando?
— Katleia, ela não respondeu seu Email, mas mandou o recado para o juiz, ela pediu ao juiz que transformasse a sua pena de cinco anos, em um mês preso e 1 anos de serviço comunitário envolvendo varias atividades solidarias, você vai virar um filantropo mesmo! — ele riu com ironia, mas atiula estava sem reação, mal respirava.
As algemas voltaram a apertar seus pulsos. Ele foi conduzido para fora da sala, corredor abaixo, em direção ao caburão que o aguardava.
William ficou para trás, olhando a pasta vazia.
O final da tarde pintava o céu de laranja e roxo quando Adon chegou à delegacia.
William estava na entrada, encostado no carro, os braços cruzados. Os dois se encararam em silêncio por um segundo.
— Está feito — William disse, a voz cansada.
Adon assentiu, sem responder.
No carro, o silêncio foi absoluto. O motor roncava baixo. As luzes da cidade passavam pela janela como manchas de cor. Nenhum dos dois falou.
Quando chegaram à mansão, Selene estava na sala de estar, um livro aberto no colo.
Ela ergueu os olhos ao ouvir os passos, e seu rosto foi da expectativa à preocupação em um segundo.
— O que aconteceu? — perguntou, fechando o livro. — Onde está o Átila? Por que vocês estão com essa cara?
Adon jogou o casaco no sofá.
— Nada. Átila teve que fazer uma viagem de emergência.
— Viagem? — Selene franziu a testa. — Que viagem? Para onde?
— Não sei. Ele não disse. Só que vai ficar fora um tempo, mas só um mês.
— E o Axel? — Selene insistiu. — Eu achei que ele ia viajar só amanhã, vocês andam ato estranhos que estou começando a ficar ansiosa.
Adon suspirou.
— Axel está indo hoje. Nesse Final da tarde. Esse ai é Sem previsão de volta.
O sangue pareceu sumir do rosto de Maju.
Ela estava na entrada da sala, um copo de suco na mão, os olhos arregalados. O copo tremeu. O suco quase derramou.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!