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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 349

Só então Átila pareceu registrar o estado de Katleia.

O choque da realidade o atingiu como um balde de água gelada.

Ele piscou, limpando o rosto com o dorso da mão, e tentou se recompor.

Olhou para o canto da sala e viu Selene. Ela estava encolhida contra a parede próxima à porta, com as mãos cobrindo a boca, o choro silencioso sacudindo seus ombros porque ela, melhor do que ninguém ali, sabia exatamente o que aquela gravidez significava a partir daquele momento.

O caos que se instalou na sala de exames parecia congelar à medida que os olhos de Átila se fixavam em Katleia. Ao contrário do desespero que consumia, ela emanava uma calmaria dolorosa, uma resignação silenciosa de quem já havia sido quebrada tantas vezes no passado que aprendera a recolher os próprios pedaços sem fazer barulho.

Katleia forçou um sorriso fraco, os lábios pálidos tremendo de leve, e olhou para o homem trêmulo à sua frente.

— Me desculpa... — ela sussurrou, a voz saindo como um sopro.

Átila piscou, as lágrimas acumuladas finalmente transbordando. Ele negou com a cabeça veementemente, segurando a mão dela entre as suas, que eram grandes e calejadas, mas que agora pareciam assustadas.

— Não... eu que tenho que pedir desculpas — ele rebateu, a voz rouca, cortada pelo remorso. — Eu fui descuidado, Katleia. Eu deveria ter prestado mais atenção, deveria ter te levado ao médico antes... Eu falhei com você.

— Não... fui eu... — ela o interrompeu com suavidade, apertando os dedos dele. — Você tinha comprado o remédio regulador daquela vez e eu esqueci de tomar direito. Não foi minha intenção...

O obstetra, que observava o casal com um respeito penalizado, pigarreou timidamente para cortar o momento, sabendo que cada minuto ali contava contra a saúde da paciente.

— Com licença... — o médico interveio, a voz baixa e profissional. — Katleia, o quadro está avançado. A gravidez não tem como prosseguir e há risco iminente de complicação na trompa. Precisamos encaminhá-la para a sala de cirurgia imediatamente para realizar o procedimento de remoção e a curetagem.

Átila engoliu em seco, olhando para o médico. O estrategista dentro dele sabia quando uma batalha estava perdida.

Ele engoliu o próprio orgulho, a dor de perder o herdeiro que há poucas horas jurava existir, e deu um aceno firme com a cabeça, autorizando o procedimento.

No momento em que os enfermeiros se aproximaram para mover a maca, o pânico real finalmente atravessou a armadura de Katleia. Ela apertou a mão de Átila com uma força descomunal, os olhos arregalados fixos nos dele.

— Átila... eu estou com medo — ela confessou, a voz infantilizada pelo pavor da sala de cirurgia.

No canto da sala, Selene observava a cena com os braços cruzados, o corpo tremendo discretamente.

O médico obstetra, ao notar a hesitação de Katleia, olhou para os lados, preparando-se para o protocolo padrão de afastar os familiares, mas Selene deu um passo à frente e interveio, falando diretamente com o doutor em um tom técnico, de colega para colega.

— Doutor... deixe ele ir até a porta do bloco — Selene pediu, a voz embargada. — A Katleia nunca fez nenhum tratamento psicológico ou físico por causa dos traumas que sofreu ela passou por muitas situações dentro da família que a fizeram se fechar e não confiar em ninguém. O útero e o corpo dela já eram um resultado esperado para complicações, porque os bloqueios dela a impediam de conviver ou de ser tocada por qualquer outra pessoa sem entrar em crise de pânico, por isso não conseguimos tratar.

O médico parou, alternando o olhar entre Selene e o modo como Katleia se agarrava a Átila. Ele percebeu que, ao lado daquele homem, a paciente não demonstrava o terror clínico esperado de um trauma severo, ela encontrava nele a sua única âncora de sanidade.

— É a primeira vez em anos que ela passa por algo tão invasivo sem ter qualquer problema ou crise histérica — Selene continuou, secando uma lágrima teimosa. — Ele pode ficar ao lado dela.

— Eu não vou sair de perto de você nem por um segundo, está me ouvindo? — Átila ele prometeu, a voz firme, sepultando o próprio luto para ser a fortaleza dela. — Está tudo bem. Eu vou estar bem ali na porta esperando você voltar para mim.

Selene ficou do lado de fora, encostada na parede do corredor, os braços abraçando o próprio corpo enquanto tremia de nervoso. Lá dentro, a equipe médica preparou tudo com agilidade e realizou o procedimento de curetagem e limpeza.

A noite caiu mansa e silenciosa sobre o hospital. Quando tudo finalmente acabou e o efeito mais denso da anestesia passou, Katleia foi transferida de volta para o quarto particular.

A iluminação ali era indireta, suave.

Katleia parecia menor do que o normal, quase sumindo nos braços de Átila, que estava sentado na borda da cama, mantendo-a aninhada contra o seu peito largo.

Selene os observava da penumbra perto da porta, em silêncio, testemunhando uma calmaria que parecia quase milagrosa após a tempestade da tarde.

Átila passava os dedos grandes pelos cabelos escuros de Katleia, sussurando palavras mansas contra o topo da cabeça dela.

Os dois estavam consideravelmente mais calmos, a dor do luto transformando-se em um entendimento silencioso.

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