Cap.156
Pov Katleia.
O silêncio do quarto de hospital, que antes me parecia um refúgio, de repente tornou-se sufocante.
O efeito da anestesia já havia dissipado quase por completo, deixando em seu lugar um vazio gélido e uma queimação persistente no meu flanco direito.
Mas a dor na alma era maior.
Olhei para o urso azul em cima da mesa e, contrariando todas as ordens médicas que Selene havia deixado expressamente claras, apoiei as mãos no colchão e forcei meu corpo para cima.
Minhas pernas tremeram quando meus pés tocaram o chão frio.
Segurei o suporte do soro, usando-o como apoio, e caminhei lentamente até a porta pesada do quarto. Girei a maçaneta com cuidado, abrindo apenas uma fresta estreita, o suficiente para que o som do corredor invadisse a penumbra onde eu estava.
Lá fora, a poucos metros de distância, Adon e Átila caminhavam de um lado para o outro.
A atmosfera entre os dois irmãos era pura pólvora. Átila gesticulava de forma agressiva, a camisa de seda vinho amassada e as mangas arregaçadas até os cotovelos. Ele parecia um animal enjaulado.
— Homens por acaso têm trompas, Adon? — a voz de Átila ecoou, rouca, carregada de uma fúria cega e inconformada.
Adon soltou um suspiro ríspido, cruzando os braços e encarando o irmão com aquela paciência fria de quem lida com um louco.
— Eu sei lá, Átila! Que maluquice você está pensando agora? Ficou retardado de vez?
— Já faz uma semana que aqueles desgraçados estão implorando por isso... — Átila continuou, os dentes cerrados, os olhos escuros faiscando com uma promessa de morte. Ele falava em um tom baixo, mas a lâmina em suas palavras era nítida. — Eu não vou dar um fim tão fácil assim para eles. Eles vão sangrar até o último centavo de sanidade que possuem.
Ele falava em sentido figurado sobre a tortura psicológica, físicas e o isolamento, mas no mesmo instante, o meu mundo parou.
Meu coração deu uma batida violenta contra as minhas costelas. Eu entendi perfeitamente de quem ele estava falando.
Eles. Os homens que tinham me mantido naquele cativeiro maldito. Os monstros que tinham abusado de mim, que tinham dilacerado o meu corpo e a minha mente no passado, deixando cicatrizes tão profundas que meu organismo sequer conseguiu sustentar uma gestação saudável.
Eu recuei um passo na escuridão do quarto, as costas batendo contra a parede. Minha mente começou a girar em uma velocidade assustadora, desenterrando memórias que eu passei meses tentando soterrar. Uma clareza sombria e cortante tomou conta de mim.
— Por culpa deles... — pensei, os punhos fechando-se com tanta força que minhas unhas cravaram-se na carne das minhas palmas. — Por tudo o que eles fizeram comigo no passado, o meu corpo falhou hoje. Por que eu deveria me sentir culpada? Por que eu deveria carregar o luto e a dor enquanto eles apenas imploram no escuro? Eles que deveriam pagar. Eles têm que pagar pelo meu bebê.
Um estalo alto da porta se abrindo mais do que o esperado interrompeu meus pensamentos. Átila virou a cabeça abruptamente na minha direção.
No mesmo segundo em que seus olhos encontraram os meus, a fúria dele evaporou, sendo substituída por um choque puro.
Ele caminhou a passos largos até mim, invadindo o quarto.
— Katleia! Por que você saiu da cama? — ele ralhou, embora a voz tivesse perdido toda a agressividade.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!